Ciência e Engenharia de Materiais

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terça-feira, 27 de outubro de 2020

Transformação do carvão em fibra de carbono

27 outubro

 



Resumo: Está sendo estudado a transformação do carvão em fibra de carbono com processos eficientes em termos de energia e custo-benefício. Este trabalho visa analisar a relação estrutura-propriedade entre o carvão e a fibra de carbono.



O Centro de Pesquisa de Energia Aplicada da Universidade de Kentucky (UK CAER) e o Laboratório Nacional de Oak Ridge do Departamento de Energia dos EUA (DOE e ORNL) estão se unindo em um projeto de US$ 10 milhões para transformar carvão em fibras e compósitos de carbono.


De acordo com o UK CAER, o projeto intitulado “C4WARD: Conversão de Carvão em Fibras e Compósitos de Carbono”, busca desenvolver a ciência necessária para criar processos com eficiência e custo benefício melhores em termos de energia, para a fabricação de fibras de carbono com propriedades ajustáveis. Está sendo estudado os desafios associados ao processamento do carvão, variedade da matéria-prima e escala de fabricação da fibra de carbono.


A universidade observa que, a pesquisa da transformação do carvão para ser usada como fibra de carbono mostra uma grande promessa para impactar positivamente a indústria de carvão dos Estados Unidos. Além disso, o mercado de fibras de carbono continua a crescer, impulsionado pelo aumento do uso em aplicações aeroespaciais e de defesa, bem como na redução do peso de automóveis. Existe também o crescimento de novas aplicações, como o isolamento térmico para edifícios e materiais para construção e infraestrutura. O mercado de fibras de carbono deve crescer a uma taxa de crescimento anual de 12% até 2024.


O Grupo de Tecnologia de Materiais da CAER liderará o pesquisa para converter uma variedade de matérias-primas de carvão em fibras e compostos de carbono. A CAER produzirá quantidades em escala de laboratório de fibra de carbono para estudar relações estrutura-propriedade entre o material de carvão e a fibra de carbono.


A ORNL usará sua experiência em química e computação de alto desempenho para correlacionar a estrutura molecular do carvão com sua processabilidade, identificando composições ideais para fabricar fibras de carbono com propriedades ajustáveis.


Além disso, CAER e ORNL também irão colaborar para desenvolver condições de processo para aumentar a produção de fibra na Carbon Fiber Technology Facility (CFTF) em ORNL. O CFTF fornece uma plataforma para identificar matérias-primas de alto potencial e baixo custo, incluindo têxteis, polímeros e precursores à base de hidrocarbonetos. Usando o CFTF, ORNL está desenvolvendo propriedades mecânicas ideais para material de fibra de carbono, com foco na propriedade de estrutura e otimização de processo.





Referência:

Grace Nehls. University of Kentucky, ORNL partner to turn coal into high-value carbon fiber. Composites World, Agosto de 2020.


Redação: Nathielle Harka - UNILA
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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Preparação de eletrocatalizadores com bactéria

19 outubro

 





Resumo: A fim de aumentar a eficiência da cinética em sistemas de conversão de energia, cientistas conseguiram isso desenvolvendo um eletrodo que, quando corroído por bactérias, se obteve alta eficiência.



As bactérias redutoras de sulfato (BSR) têm sido um tanto problemático para estruturas metálicas no mar, pois elas as corroem. Porém, a ciência aproveita essas bactérias para dar a elas outros usos, como redução de hidrocarbonetos do petróleo, limpeza de solos contaminados e basificação de águas ácidas de minas.


O desprendimento do oxigênio é de grande importância em vários sistemas de conversão de energia, incluindo baterias recarregáveis de metal-ar e dispositivos de eletrólise de água. No entanto, por causa da cinética lenta é necessário eletrocatalisadores altamente eficientes, como os nanocompósitos à base de metais nobres, que apresentam excelente atividade, mas por suas reservas limitadas e alto custo os fazem inviável.


Ao corroer o aço carbono, os BSRs produzem sulfetos de ferro e óxidos de ferro (hidroxi), que possuem potencial para o desprendimento de oxigênio, mas existem poucos estudos sobre a indução por corrosão de eletrodos de biofilme. Vendo isso, os cientistas se inspiraram no comportamento desses microrganismos para preparar compostos de Ni-Fe altamente ativos por corrosão na presença de BSR anaeróbico.


Os pesquisadores viram que o eletrodo que prepararam (Ni (Fe) OOH - FeSx), formado pela corrosão, tinha alta atividade para o desprendimento de oxigênio no eletrólito alcalino, e que com apenas 220 mV obtiveram a densidade de corrente de referência de 10 mA cm−2. De acordo com seus estudos, essa alta atividade vem do efeito sinérgico entre as espécies de oxihidróxido e sulfeto de ferro.


Este trabalho, ao incluir diferentes ramos da ciência, espera promover a multidisciplinaridade em projetos subsequentes.


A pesquisa está publicada na revista Nature.







Referência:

Yang, H., Gong, L., Wang, H. et al. Preparation of nickel-iron hydroxides by microorganism corrosion for efficient oxygen evolution, Nature Communications, 08 de outubro, 2020; DOI: 10.1038/s41467-020-18891-x


Redação: Dennis Gonzales - UNILA
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segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Técnica de impressão 3D que reduz resíduos

05 outubro

  





Resumo: A impressão 3D facilita a fabricação de vários produtos, porém também tem suas limitações. Um grupo de pesquisadores desenvolveram uma técnica capaz de reduzir custos ao aumentar a eficiência do material a ser impresso.



Com a impressão 3D podemos desenhar um objeto em um computador e fabrica-lo com maior facilidade que outros métodos, mas ainda existem certos pontos negativos como os resíduos da fabricação que aumentam os custos, além de outros fatores.

Pesquisadores estudaram a fotocura, uma forma de impressão 3D, que permite a solidificação de um modelo 3D na interface de cura. Ele se tornou uma técnica promissora com uma variedade de aplicações. É mais eficaz do que outros processos, como para a construção de estruturas finas, uma vez que os outros processos têm baixa eficiência quando utilizado material úmido ou material líquido. Nas outras técnicas, a adesão, o resíduo de resina líquida no recipiente que contem a tinta e na superfície sólida curada limitam a construção em alta resolução e aumenta os custos, especialmente quando se usa resinas caras.

Inspirando-se na superfície natural da flor de lótus, o líquido na superfície pode reduzir muito a adesão interfacial no substrato, resultando no modo de contato esférico de uma gota. Pensando nisso, um grupo de cientistas tentou fazer estruturas 3D a partir de uma única gota de alta eficiência com o uso de material úmido e limpo. Isso se deve à propriedade de recuo da linha de contato trifásica (TCL) do cordão de resina.

De acordo com a teoria, há três interfaces envolvidas: a interface entre a resina líquida e a resina curada, a interface entre a resina curada e a interface de cura e a interface entre a resina líquida e a interface de cura, que devem atender a certos critérios de aderência entre eles para os quais os cientistas testaram a capacidade de impressão 3D de uma gota comercial flexível, verificando assim a relação entre as interfaces.

Eles mostraram que na técnica de impressão 3D de uma gota, a eficiência na utilização do material líquido e a força de desumidificação dependem do peso da gota, da área de projeção da fonte de UV e do padrão de projeção da fonte de UV. Portanto, com um tamanho de gota menor, pode se ter uma espessura menor aderida. Uma maior área de superfície da estrutura 3D produz mais resíduos e diminui a eficiência de uso. Mas isso aumenta ao variar o padrão de projeção UV de um formato redondo para um formato de ranhura em V, que influencia na morfologia da linha de contato e a distribuição 3D da resina líquida.

Portanto, essa nova técnica pode minimizar desperdícios e melhorar a eficiência, reduzindo custos. A impressão 3D de gota única será de grande importância para a fabricação sob demanda.

Esta pequisa está publicada na revista Nature.







Referência:

Zhang Yu, Dong Zichao, Li Chuxin, et al. Continuous 3D printing from one single droplet, Nature Communications, 17 de setiembre, 2020; DOI: 10.1038/s41467-020-18518-1


Redação: Dennis Gonzales - UNILA
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terça-feira, 29 de setembro de 2020

Novas descobertas sobre o Urânio

29 setembro

 



Resumo: O elemento Urânio, conhecido por ser um metal radioativo, foi estudado conforme seu estado de oxidação. A identificação da estrutura molecular do Urânio pode levar a compreensão de como são formados esses minerais em nanoescala. Essa descoberta pode ser usada para entender a gestão de resíduos radioativos.



Muitas pessoas conhece o urânio como combustível para usinas nucleares. E embora seja a aplicação mais comum, este elemento também é usado em outros campos, como em tintas, aparelhos médicos e armas. Cientistas do Laboratório de Microbiologia Ambiental (EML) da EPFL fizeram recentemente uma importante descoberta sobre o urânio que pode ter implicações importantes para a remediação do solo e das águas subterrâneas, bem como para o gerenciamento de resíduos radioativos. Essa pesquisa foi publicada na Nature Communications.


O urânio é um metal pesado radioativo encontrado na crosta terrestre e em pequenas concentrações na água, ar, plantas e organismos vivos. Os cientistas da EML estudaram as propriedades do urânio no meio ambiente e fizeram avanços significativos na compreensão de como ele vai de um estado de oxidação a outro, passando de um composto solúvel em água a um mineral estável.


“Geralmente no estado de oxidação +6 o urânio é solúvel e pode, portanto, se espalhar descontroladamente no meio ambiente”, diz Zezhen Pan, um cientista da EML e principal autor do estudo. “Mas no estado de oxidação +4, é menos solúvel e menos móvel. Em nossa pesquisa, fomos capazes de identificar os mecanismos em nanoescala de interação entre o urânio e as partículas de magnetita, um óxido de ferro magnético, para a transição de um estado de oxidação para o outro. Mostramos a persistência do Urânio no estado de oxidação +5, que geralmente é considerado metaestável.”


O mais interessante é que os cientistas também identificaram um fenômeno molecular que ocorre durante a transformação do estado de oxidação +6 para +4: foi descoberto a formação de novos nanofios de nanopartículas (~ 1-2 nm) que se formaram espontaneamente em cadeias. A identificação da estrutura do nanofio pode melhorar a compreensão de como os compostos radioativos se espalham em locais contaminados.


“Essas descobertas são muito promissoras porque fornecem uma visão sobre como os minerais em nanoescala se formam naturalmente por meio de interações na interface água-mineral”, disse Rizlan Bernier-Latmani, chefe do EML. “Agora temos uma melhor compreensão dos mecanismos moleculares que atuam nesse processo.”





Referência:

Sarah Perrin. Uranium reveals its true nature. EPFL, Agosto de 2020.


Redação: Nathielle Harka - UNILA
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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Lítio: uma solução e limitante para a redução das mudanças climáticas

21 setembro

  




Resumo: Os esforços para reduzir as mudanças climáticas, devido aos gases de veículos, levaram pesquisadores a desenvolver baterias elétricas, visto que um grupo de cientistas estudou a sustentabilidade das baterias contendo lítio durante este século.



O setor de transportes por muitos anos dependeu dos combustíveis fósseis. Devido aos danos que as emissões gasosas trazem para o meio ambiente e pelo fato de não ser um recurso renovável, pouco a pouco procuramos substitui-lo com métodos menos contaminantes e renováveis. Em muitos estudos o elemento lítio encaixa dentro destas condições devido a suas propriedades.


Como o lítio é mais usado em aplicações de energia e transporte, a tendência é aumentar cada vez mais e então, os principais fabricantes de baterias aumentam também seus investimentos para a sua obtenção. Devido a este aumento continuo da demanda, um grupo de pesquisadores estudaram a disponibilidade do lítio a longo prazo, até o ano 2100, e por vários fatores, como a urgência de descarbonizar o setor energético, aumento da população e quantidade de lítio reciclado.


Acreditam que, devido à pouca reciclagem do lítio, o ano de 2050 terá um déficit da oferta de lítio virgem até final do século, e isto poderia ser evitado se o setor de veículos elétricos diminuir a pressão sobre a demanda de lítio. Porém, estudos demonstram que baixas taxas de consumo no setor de energia colocariam em risco os objetivos de diminuição das mudanças climáticas.


Determinaram que o principal motivo do déficit é o uso de baterias íon lítio para o setor de transporte. Diferente de estudos anteriores, esta pesquisa supõe uma alta demanda de lítio para baterias.


O lítio pode em breve se tornar uma ameaça para o futuro da indústria de transporte se não for reduzido sua dependência, se não reciclar ou desenvolver baterias com outros materiais e talvez transporte que não dependa de baterias.


Assim, esta pesquisa nos deixa com algumas incertezas sobre o que seria mais conveniente, continuar usando o elemento para tentar primeiro reduzir as mudanças climáticas e esgotar as reservas de lítio, ou manter as reservas e continuar com as emissões poluentes dos veículos. Isso poderia ser respondido encontrando novas opções de bateria, um sistema de reciclagem adequado e melhorando o desempenho do lítio para usá-lo em menor quantidade.


Esta pesquisa foi publicada na revista Nature.







Referência:

Greim Peter, Salomón AA & Breyer Christian. Assessment of lithium criticality in the global energy transition and addressing policy gaps in transportation, Nature Communications, 11 de setiembre, 2020; DOI: 10.1038/s41467-020-18402-y


Redação: Dennis Gonzales - UNILA
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sábado, 12 de setembro de 2020

Comportamento do grafeno em material mole na robótica

12 setembro

 




Resumo: A tecnologia avança cada vez mais, a robótica não é uma exceção, pesquisadores buscam com a ajuda do grafeno e polietileno conseguir programar um material para que se deforme reversivelmente sem a necessidade de um estímulo externo.



A matéria mole é um subcampo da matéria condensada, as quais podem ser polímeros, coloides, espumas, cristais líquidos, componentes mesoscópicos e entre outros. Estes tem um estado físico que os permite se deformar com facilidade ao ser aplicada tensões térmicas. Este tipo de material pode ser encontrado em forma de adesivos, lubrificantes, pinturas e alguns biomateriais.


Pesquisadores estão estudando materiais que possa interagir de maneira segura com os seres vivos ou objetos frágeis, e tendo em mente os materiais moles, estão sendo explorados para a fabricação e controle da robótica mole (robótica com materiais moles) por sua flexibilidade. Com isto a robótica mole pode conseguir respostas complexas quando se tem um estimulo externo.


Atualmente, a robótica mole está presa ou depende de fontes de energia externas e sistemas de controle, o que limita suas aplicações na prática. O desenvolvimento de materiais inteligentes moles para que possam transformar a energia externa em mecânica poderia alcançar uma transformação controlável sem limites.


Os pesquisadores prepararam uma bicamada de grafeno e polietileno empilhados (SGA/PE), ao qual antes da variação de temperatura pode se dobrar ou se deformar, sendo essas mudanças reversíveis, o que é comum em filmes de duas camadas. O diferencial do filme de bicamada SGA / PE é que quando o processo de têmpera é aplicado em um espaço limitado ele rola espontaneamente em um rolo, podendo realizar movimento com luz infravermelha.


Esta propriedade deve-se principalmente ao comportamento elastoplástico assimétrico do SGA, que permite ser aplicado em motores e na robótica mole com alta programabilidade. Apesar desses sucessos, ainda existem certas complicações, como o procedimento de síntese, menor programabilidade e velocidade de resposta lenta devido a mecanismos de trabalho dependentes do tempo, como difusão e organização molecular.


Esta pesquisa nos mostra uma estratégia fácil e rentável para o avanço da robótica mole programáveis sem problemas ou sem dependências de algum estimulo como o calor.


Este artigo está publicado na revista Nature.






Referência:

Shuai Wang, Yang Gao, Anran Wei, Peng Xiao, et al. Asymmetric elastoplasticity of stacked graphene assembly actualizes programmable untethered soft robotics, Nature Communications, 31 de agosto, 2020; DOI: 10.1038/s41467-020-18214-0


Redação: Dennis Gonzales - UNILA
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sábado, 5 de setembro de 2020

Estruturas de celulose utilizadas como nanocarreadores em tratamentos de câncer

05 setembro

 




Resumo: Encontradas em plantas, ou produzidas por bactérias, a celulose é o polímero mais abundante no mundo. Possuindo propriedades significativas e promissoras na área biomédica, a celulose demonstrou ser capaz de apresentar eficiência nos  diferentes tipos de tratamento de câncer.



Segundo a Organização Mundial de Saúde, o câncer foi responsável por 9,6 milhões de mortes em 2018, tornando-se a segunda principal causa de óbitos no mundo. Normalmente, a retirada do tumor por meio de cirurgia é o tratamento mais utilizado para esta doença devido a sua alta eficácia. Porém, o tamanho, o local e o estágio do tumor, além das condições do paciente, limitam a aplicação deste método. Sendo assim, são utilizados tratamentos alternativos e menos invasivos como: radioterapia, terapia fototérmica e quimioterapia. 


A terapia fototérmica e a quimioterapia possuem limitantes no que se diz respeito ao transporte do medicamento até o tumor. O transporte inadequado do fármaco pode acarretar na liberação repentina e desacelerada do mesmo, reduzindo a sua eficácia e causando reações adversas no paciente. Tendo em vista isso, estudos apontam a utilização da celulose como nanocarreadores promissores garantindo uma maior segurança ao paciente. 


A celulose ( é o polímero de maior abundância na Terra, podendo ser de origem animal, vegetal ou bacteriana. Consiste em um polissacarídeo, formado por ligações do tipo   e unidades de  . A sua estabilidade ocorre por meio de ligações de hidrogênio intra e inter-cadeias, nas quais em grande quantidade resultam em ótimas propriedades mecânicas. Além disso, a celulose exibe características importantes como: biodegradabilidade, biocompatibilidade, flexibilidade, transparência, polaridade, termoestabilidade e, por fim,  capacidade de formar géis.  


Na terapia fototérmica, o material é injetado no paciente, se acumulando nas células cancerígenas onde, após uma incidência de luz, o mesmo é aquecido, atacando e eliminando o tumor. Recentemente, o fósforo preto, alótropo do fósforo, foi apresentado como um ótimo agente fototérmico, além de ser biocompatível e biodegradável. Em contrapartida, este material sofre oxidação rapidamente dentro do corpo humano, resultando em uma rápida degradação e um efeito fototérmico heterogêneo. Para isto, é necessário a utilização de um nanocarreador que possua além de resistência mecânica elevada, biocompatibilidade e biodegradabilidade, também não altere a condutividade, a fotoluminescência e as propriedades magnéticas e catalíticas presentes no fósforo preto. Os hidrogéis de celulose se mostraram capazes de preencher todos os requisitos necessários. 


Para exemplificar esta aplicação, podemos citar um estudo realizado na China onde foram fabricados hidrogéis de celulose via rompimento de ligações de hidrogênio da celulose por hidratos. Desta forma, hidrogéis a base de celulose e nanofolhas de fósforo preto (BPNs) foram feitos através da gelificação de cadeias de celulose com o auxílio de um reticulador de epicloridrina na presença de BPNs em água. 


Este sistema, BPNs-celulose, apresentou uma estrutura com poros irregulares, garantindo espaço suficiente para a absorção e preservação de uma grande quantidade de água. Além disso, notou-se que as BPNs ficaram totalmente imersas na estrutura do hidrogel de celulose, o que impediu a oxidação das mesmas. Em relação a toxicidade do sistema, os resultados dos ensaios in vitro e in vivo indicaram não haver nenhuma toxicidade, demonstrando a total biocompatibilidade do sistema. 


Por fim, ensaios utilizando radiação próxima ao infravermelho confirmaram a eficácia de até cerca de 100% para as células testadas para uso deste material para terapias fototérmicas.  

 

Os resultados apresentados mostram o potencial de utilização de um material abundante na natureza, celulose, para tratamento de doenças que atingem grande parte da população mundial.







Referência:

Ferlay J, Soerjomataram I, Ervik M, Dikshit R, Eser S, Mathers C et al. GLOBOCAN 2012 v1.0, Cancer Incidence and Mortality Worldwide: IARC CancerBase No. 11. Lyon, France: International Agency for Research on Cancer; 2013. 

Xing, C., Chen, S., Qiu, M., Liang, X., Liu, Q., Zou, Q., Zhongjun, L., Zhongjian, X., Dou, W., Bigin, D., Liping, L., Dianyuan, F., Zhang, H. (2018). Conceptually Novel Black Phosphorus/Cellulose Hydrogels as Promising Photothermal Agents for Effective Cancer Therapy. Advanced Healthcare Materials, 7(7), 1701510. 

Cacicedo, M. L., Islan, G. A., León, I. E., Álvarez, V. A., Chourpa, I., Allard-Vannier, E., Castro, G. R. (2018). Bacterial cellulose hydrogel loaded with lipid nanoparticles for localized cancer treatment. Colloids and Surfaces B: Biointerfaces, 170, 596–608. 



Redação: Beatriz Batalha, Vitor Iscuissati e Liliane Battirola - UNILA
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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Tecnologias que limitam ou reduzem a emissão de CO₂

31 agosto

 




Resumo: Projetos visam reduzir ou limitar a emissão de gás CO₂ com o apoio do Centro de Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono da Iniciativa de Energia do MIT.



As tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) têm o objetivo de limitar ou reduzir a quantidade de CO₂ na atmosfera, como parte de um conjunto de abordagens para diminuir as mudanças climáticas. O centro de CCUS está trabalhando para enfrentar esses desafios com um grupo de membros das indústrias que estão apoiando pesquisas promissoras do MIT.


O projeto de Henry e Barton, "Menor custo, livre de CO₂, produção de H₂ a partir de CH₄ usando estanho líquido", investiga o uso de pirólise de metano ao invés de reforma de metano a vapor (SMR) para produção de hidrogênio.


Atualmente, a produção de hidrogênio é responsável por aproximadamente 1% das emissões globais de CO₂ e o método de produção predominante é SMR. O processo SMR depende da formação de CO₂, portanto, substituí-lo por outra abordagem economicamente competitiva para produzir hidrogênio evitaria as emissões.


O trabalho de Henry e Barton é uma nova abordagem de um processo existente, a pirólise do metano. Como o SMR, a pirólise do metano usa o metano como fonte de hidrogênio, mas segue um caminho diferente. O SMR usa o oxigênio da água para liberar o hidrogênio, ligando preferencialmente o oxigênio ao carbono do metano, produzindo gás CO₂ no processo. Na pirólise do metano, o metano é aquecido a uma temperatura tão alta que a própria molécula se torna instável e se decompõe em gás hidrogênio e carbono sólido.


Embora a ideia da pirólise do metano já exista há muitos anos, tem sido difícil de comercializar devido à formação do subproduto sólido, que pode se depositar nas paredes do reator, eventualmente obstruindo-o. Esse problema torna o processo impraticável. O projeto de Henry e Barton usa uma nova abordagem em que a reação é facilitada com estanho fundido inerte, evitando entupimento.


Outro projeto nomeado "Monitoramento de alta fidelidade para captura de carbono: investigação geofísica e geoquímica integrada de dados de campo e de laboratório", Peč planeja realizar um estudo abrangente para obter uma compreensão dos processos quimio-mecânicos acoplados que acompanham o armazenamento de CO₂.


O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas estima que 100 a 1.000 gigatoneladas de CO₂ devem ser removidos da atmosfera até o final do século. Esses grandes volumes só podem ser armazenados abaixo da superfície da Terra, e esse armazenamento deve ser realizado com segurança e proteção, sem permitir qualquer vazamento de volta para a atmosfera.


Uma estratégia de armazenamento promissora é a mineralização de CO₂ - especificamente pela dissolução de CO₂ gasoso na água, que então reage com rochas para formar minerais carbonáticos. Das tecnologias propostas para a captura de carbono, essa abordagem é única, pois a captura é permanente: o CO₂ torna-se parte de um sólido inerte, portanto, não pode escapar de volta para o meio ambiente. As rochas basálticas, a rocha vulcânica mais comum na Terra, apresentam bons locais para injeção de CO₂ devido à sua ampla ocorrência e altas concentrações de cátions divalentes, como cálcio e magnésio, que podem formar minerais carbonáticos.




Referência:

Emily Dahl. Two projects receive funding for technologies that avoid carbon emissions. MIT Energy Initiative. August 20, 2020.


Redação: Nathielle Harka - UNILA
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sábado, 29 de agosto de 2020

Impressão 3D de metais facilita a síntese química

29 agosto



Resumo: A impressão 3D vem revolucionando o setor industrial, pois permite projetar e obter um produto com muita precisão em suas dimensões e diferentes geometrias. Um grupo de pesquisadores trabalhou com a impressão 3D em metais para poder fabricar reatores químicos e estudar sua relação com os catalizadores.



A impressão 3D vem sendo estudada em muitos campos da ciência, como na biotecnologia, síntese farmacêutica, engenharia, etc. A ideia de usar este processo surgiu pela busca de novas rotas sintéticas para a conversão de recursos não petrolíferos em combustível líquido por diferentes processos, os quais têm sido estudados por muito tempo, e que eram inviáveis em aplicações industriais devido ao seu alto custo. Com isto em mente, o grupo de pesquisadores decidiu usar a impressão 3D de metais para fabricar os reatores autocatalíticos (SCR) e para a preparação de catalizadores, e assim, reduzir os elevados custos e tamanho dos reatores e melhorando a eficiência energética.


Foi utilizado diferentes técnicas de impressão 3D para fabricar o reator e o catalizador separadamente, para então superar os problemas de baixa velocidade de impressão e complexibilidade, podendo também ser aplicada em condições extremas, como em alta temperatura e pressão.


Foram fabricados reatores com diferentes seções transversais para converter moléculas de C1 (incluídos CO, CO2 y CH4) em produtos de alto valor agregado. Foi demostrado que a geometria da seção transversal impressa dos SCRs pode melhorar drasticamente a sinergia entre o catalizador e o reator para controlar a distribuição do produto catalítico. A superfície interna, volume do canal e a estrutura espacial são fatores que afetam o controle da síntese química.


Esta pesquisa oferece uma alternativa para favorecer a sinergia entre reatores e catalizadores, podendo impulsionar novos desenhos para o futuro dos sistemas catalíticos para tecnologias baseadas na impressão 3D.



Referência:

Quinhong Wei, Hangjie Li, Guoguo Liu, Yingluo He, Yang Wang, et al. Metal 3D printing technology for functional integration of catalytic system, Nature Communications, 14 de agosto, 2020; DOI: 10.1038/s41467-020-17941-8


Redação: Dennis Gonzales - UNILA
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Filtros de nanofios de Titanato que elimina patógenos

29 agosto



Resumo: Nas últimas duas décadas, vários surtos virais estão resultando em epidemias e pandemias. Para impedir a propagação do vírus, é fundamental ter equipamentos de proteção individual. Por isso, foi desenvolvido um filtro baseado em nanofios de TiO2 que tem a capacidade de eliminar patógenos.



Na tentativa de reduzir os impactos da pandemia de Covid-19, as máscaras de papel estão se tornando cada vez mais obrigatórias. Porém, seu uso generalizado tem uma série de desvantagens. Isso inclui o impacto ambiental de máscaras descartáveis feitas de camadas de plástico de polipropileno. Além disso, eles apenas prendem os patógenos em vez de destruí-los. “Em um ambiente hospitalar, essas máscaras são descartadas e manuseadas de maneira adequada”, afirma László Forró, chefe do Laboratório de Física de Matéria Complexa da EPFL. “No entanto, seu uso em um mundo mais amplo - onde são jogados em latas de lixo abertas e até mesmo deixados na rua - pode transformá-los em novas fontes de contaminação.”


Aqui, é relatado o desenvolvimento de um filtro baseado em nanofios de TiO2, que acredita-se que funcionará extremamente bem para equipamentos de proteção individual (PPE). Este filtro feito de nanofios de óxido de titânio é capaz de prender patógenos e destruí-los com a luz. Nesta pesquisa inclui experimentos que demonstram a capacidade da membrana de destruir E. coli, a bactéria de referência em pesquisa biomédica, e fitas de DNA em questão de segundos. Com base nesses resultados, os pesquisadores afirmam, embora isso ainda precise ser demonstrado experimentalmente, que o processo seria igualmente bem-sucedido em uma ampla gama de vírus, incluindo o SARS-CoV-2.


No artigo também afirma que a fabricação dessas máscaras seria viável em grande escala: o equipamento do laboratório sozinho é capaz de produzir o suficiente para até 80.000 máscaras por mês. Além disso, as máscaras poderiam ser esterilizadas e reutilizadas mil vezes. Isso aliviaria a escassez e reduziria substancialmente a quantidade de lixo criada por máscaras cirúrgicas descartáveis.


Uma start-up chamada Swoxid já está se preparando para tirar a tecnologia do laboratório. “As membranas também podem ser usadas em aplicações de tratamento de ar, como sistemas de ventilação e ar condicionado, bem como em equipamentos de proteção individual”, diz Endre Horváth, principal autor do artigo e co-fundador da Swoxid.




Referência:

Emmanuel Barraud. A titanate nanowire mask that can eliminate pathogens. EPFL News, 07 de agosto de 2020.


Redação: Nathielle Harka - UNILA
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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Um arranjo diferente permite maior armazenamento em chips

28 agosto



Resumo: A atual tendência na tecnologia é fabricar dispositivos cada vez mais pequenos para reduzir custos, e então com grande sucesso um grupo de pesquisadores encontrou uma forma de fabricar esses dispositivos com memórias embutidas.



As memórias embutidas tem um papel fundamental para o funcionamento dos dispositivos eletrônicos que utilizamos, uma vez que são desenhadas para realizar necessidades especificas e que realizam normalmente as tarefas de processamento em tempo real.


Estas memórias embutidas ocupam grande parte desses sistemas. Por isso pesquisadores buscam reduzir cada vez mais seu tamanho, com um custo mais barato e que sejam mais potentes. Diante disso, a equipe de pesquisadores da EPFL e a Universidade de Bar Ilan (BIU) em Israel desenharam uma memória que reduze a metade da quantidade de silício utilizada, sem prejudicar seu armazenamento e também a energia necessária. Este projeto é tão inovador que conseguiu sete patentes por seu trabalho e estão em processo de criação de uma startup, RAAAM.


O grupo de pesquisadores organizou de maneira diferente os transistores dentro das memórias embutidas, utilizando acesos diretos para reduzir espaço e energia, porque se sabe que dentro dos chips tem uma enorme quantidade de transistores. A memória que desenvolveram, chamada de GC-eDRAM, precisa somente de dois ou três transistores, um valor muito menor ao que possui o SRAM com suas seis ou oito transistores. Esta nova organização permite colocar dentro dos chips mais memórias ou fabrica-las em formato menor para dar espaço a outros componentes, reduzindo assim a energia necessária para processar uma determinada quantidade de dados.


Para Andreas Burg, professor do Laboratório de Circuitos de Telecomunicações e um dos fundadores de RAAAM, durante os últimos anos a tecnologia em componentes do chip somente avançou em sua redução de tamanho, porem está parada em outros aspectos.


Robert Giterman, pesquisador com pós-doutorado em EPFL e CEO de RAAAM indica que existem outros tipos de eDRAM no mercado, porém requerem outros passos no processo de fabricação que são complexos e custosos, os quais são incompatíveis com os passos de fabricação padrão dos chips. Apesar disso, GC-eDRAM pode ser compatível ao processo devido a suas características.


Os pesquisadores trabalharam com fabricantes de semicondutores de primeiro nível para provar seu novo tipo de memória, resultando na compatibilidade no processo de fabricação, o qual permitirá uma redução enorme no custo. Por isso RAAAM planeja vender sua tecnologia através de acordos de licença, sendo um dos três ganhadores dos prêmios Venture deste ano na área Industrial e de Engenharia.



Referência:

Cécilia Carron. New high-capacity embedded memories use half as much silicon, EPFL News, 31 de julho, 2020.


Redação: Dennis Gonzales - UNILA
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Equipe desenvolve plástico de carbono ecológico, resistente ao fogo e ideal para reciclagem

28 agosto


 Resumo: Uma equipe de pesquisadores desenvolveram um material compósito de fibra de carbono e resina epóxi, que tem como objetivo criar um material capaz de ser reciclado em mais de 99% e ser resistente ao fogo usando ácido tânico de origem vegetal.



O Instituto de Ciência e Tecnologia da Coréia (KIST) anunciou que uma equipe de pesquisa do Instituto de Materiais Compostos Avançados, liderada pelo Dr. Yong Chae Jung, utilizou ácido tânico de origem vegetal para desenvolver um plástico reforçado com fibra de carbono retardante de chama (CFRP), e também apresentou um método para sua reciclagem ecológica. Assim, foi desenvolvido um material compósito reforçado com fibra de carbono.


CFRP é um material compósito que contém fibra de carbono. Esse material é cerca de quatro vezes mais leve que o aço, porém 10 vezes mais forte e é amplamente utilizado nas indústrias aeroespaciais, automotiva, de construção naval e de equipamentos esportivos. Estruturalmente, o CFRP é composto de fibra de carbono e resina epóxi, que desempenham funções neste material compósito semelhantes aos que as barras de reforço e o cimento desempenham nas estruturas de concreto. Para obter rigidez mecânica, a ligação da fibra de carbono e da resina epóxi deve ser forte. Além disso, o CFRP deve ser à prova de fogo, pois é usado para fins relacionados à vida cotidiana, por exemplo, como material de construção. Para induzir essas características no CFRP, algumas vezes é sintetizado com aditivos.


Foi adicionado ao CFRP um retardador de chama de halogênio para efeito à prova de fogo. No entanto, o uso de halogênio na CFRP foi proibido em todo o mundo, pois gera substâncias tóxicas quando incineradas para reciclagem. Assim, a tarefa em questão era tornar o CFRP um retardador de chamas com o uso de um material seguro e não tóxico.


Jung Yong-Chae procurou melhorar a rigidez mecânica e o retardamento de chama do CFRP com ácido tânico. O ácido tânico se transforma em carvão quando queimado, e quando carbonizado funciona como uma barreira que bloqueia a entrada de oxigênio externo. Ao fabricar a resina epóxi a partir de ácido tânico e misturá-la com a fibra de carbono, a equipe de pesquisa do KIST desenvolveu com sucesso um CFRP.


Ao contrário da resina epóxi convencional que é vulnerável ao calor, a resina epóxi feita com ácido tânico é retardadora de chama e não precisa de aditivos. Isso significa que as substâncias tóxicas geradas ao incinerar o CFRP para reciclagem não seriam mais um problema.


Ao dissolver o CFRP na água em um estado de fluido supercrítico, isto é, temperatura e pressão em um nível definido, mais de 99% do CFRP pode ser recuperado sem desempenho reduzido da fibra de carbono. Ao contrário do método de reciclagem por incineração, que queima a resina epóxi, deixando apenas a fibra de carbono incompleta para ser reciclada, esse novo método de reciclagem permite a reciclagem de todos os componentes de um material compósito.


O pesquisador chefe Dr. Jung disse: "Criamos um material compósito com amplas aplicações, que é uma melhoria em relação ao plástico reforçado com fibra de carbono convencional em termos de retardamento de chama, rigidez mecânica e reciclabilidade. Essas características aprimoradas são significativas na medida em que determinam a faixa de aplicação do material compósito ". Ele acrescentou: "Iremos revisar a estrutura deste material para obter ainda mais propriedades aprimoradas e expandir ainda mais o alcance de sua aplicação".



Referência:

Young-O Kim et al, Recyclable, flame-retardant and smoke-suppressing tannic acid-based carbon-fiber-reinforced plastic, Composites Part B: Engineering (2020). DOI: 10.1016/j.compositesb.2020.108173


Redação: Nathielle Harka - UNILA
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Pesquisa de um novo e melhor material para absorção de CO2

28 agosto



Resumo: O aquecimento global está aumentando por causa da emissão de gases de diversas atividades humanas. Por isso, pesquisadores buscam por materiais capazes de capturar o dióxido de carbono destas emissões com a ajuda de métodos computacionais.



O efeito estufa é um fenômeno atmosférico que regula a temperatura do planeta pois retêm parte da energia solar. Porém devido as atividades humanas, existe muita produção de gases com dióxido de carbono (CO2) que se movem para a atmosfera, perturbando o equilíbrio, resultando no aquecimento global.


Atualmente existem muitas pesquisas sobre como reduzir ou então capturar os gases emitidos. Eles são chamados de “gases de combustão”, que se refere aos gases que saem de tubulações, chaminé, etc., como produto da combustão em um forno, caldeira ou gerador de vapor. Porém, são geralmente associados aos vapores que saem das fábricas.


Uma forma de reduzir o impacto contaminante dos gases de combustão é tirar o CO2 e fazer um armazenamento geológico ou então reciclar. Tendo isto em mente, uma equipe de pesquisadores dirigido por Berend Smit da Escola Politécnica Federal de Lausana (EPFL) desenharam um material que pode capturar o dióxido de carbono dos gases de combustão úmidos melhor que os atuais materiais comerciais.


Os materiais capazes de capturar CO2 são muito melhores na captura de agua, por isso não são muito úteis com gases de combustão úmidos. Dentro do material, o CO2 e a agua competem para ocupar os mesmos sítios de adsorção, mas realmente a estrutura do material é a que captura a molécula de água.


Prevendo este problema, os pesquisadores desenharam um novo material no qual não é afetado pelas moléculas de agua e pode ser capturado com maior eficiência o CO2 dos gases de combustão úmidos.


Para diminuir a dificuldade de desenhar novos materiais, foi utilizado métodos computacionais. Atualmente, criar um fármaco é muito complexo e caro, e por isso nos últimos anos está sendo utilizado métodos computacionais para se fazer milhões de ensaios com moléculas para pesquisar quais se unirão a certa proteína relacionada com a doença em questão.


Os pesquisadores da EPFL, tendo o mesmo ponto de vista, criaram 325.000 materiais pelo computador com o objetivo de relaciona-lo com o CO2. Todos os materiais pertencem a família da Estrutura Organometálica (MOF). Para reduzir este número, buscaram estruturas entre os MOFs que se unem muito bem com o CO2 e não com água. Assim, a busca se reduziu a 35 materiais depois de adicionar os parâmetros específicos de eficiência.


Este trabalho foi realizado com colaborações das Unversidades da California Berkeley, Universidade de Ottawa, Universidade Heriot-Watt e também da Universidade de Granada.


"Os experimentos realizados em Berkeley mostraram que as nossas previsões estavam corretas", disse Smit. "O grupo em Heriot-Watt demostrou que nossos materiais desenhados podem capturar dióxido de carbono dos gases de combustão úmidos melhor que os materiais comerciais.



Referência:

Nik Papageorgiou. New material design tops carbon-capture from wet flue gases, EPFL News, 11 de dezembro, 2019; DOI: 10.1038/s41586-019-1798-7


Redação: Dennis Gonzales - UNILA
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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Nova tecnologia em transistores, uma economia enorme de energia

27 agosto

 

Resumo: Hoje em dia as pessoas utilizam continuamente certos dispositivos eletrônicos, como computadores portáteis, telefones e relógios inteligentes. Para seu uso contínuo, é necessário o abastecer com grandes quantidades de energia, e grande parte dela é perdida.



Os transistores são utilizados na maioria dos circuitos eletrônicos, ou seja, é o componente principal dos dispositivos eletrônicos modernos. A procura por um transistor com maior eficiência energética levou o professor Adrian Ionescu e sua equipe ao Laboratório de Dispositivos Nanoeletrônicos de EPFL (Nanolab) e realizar uma série de projetos com o objetivo de criar uma tecnologia eletrônica para dispositivos portáteis que seja similar em eficiência aos neurônios humanos, já que estas consumem 20 watts de energia (três vezes menos que o foco médio das casas) e podem realizar tarefas de maior complexidade que um computador, como ser capaz de analisar uma informação proporcionada por nossos sentidos e gerar processos inteligentes de tomada de decisões.


Esta equipe desenvolveu um transistor de tamanho nanométrico com materiais semicondutores compreendido por capas 2D de diseleniuro de tungstênio (WSe2) e diseleniuro de estanho (SnSe2), conhecido como um transistor de túnel 2D/2D, o qual cumpre o mesmo papel que os transistores convencionais, porém usa muito menos energia. Ao testar este novo transistor, viram que isto estabeleceria um novo padrão para a eficiência energética no processo de comutação digital, pois apresentou um rendimento maior e menor necessidade de fornecimento de voltagem que um transistor padrão.


Esta nova tecnologia opera a 300mV (milivolts), um valor muito próximo ao que necessitam os neurônios, 100mv. Assim, convertendo em 10 vezes mais em eficiência que um transistor padrão. Nenhum outro componente eletrônico que existe hoje se aproxima a este nível de eficiência.


Projetos aplicados a tecnologias portáteis e chips para IA de última geração ainda são objetos de laboratório e é preciso muita pesquisa para poder fabricar um produto em escala industrial.


Referência:

V. Geneux. Transistor sets a new standard for energy efficiency, EPFL News, 12 de maio, 2020; DOI: 10.1038/s41699-020-0142-2


Redação: Dennis Gonzales - UNILA
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Engenheiros criam uma nova maneira de armazenar dados

27 agosto



Resumo: Os pesquisadores inventaram uma maneira de deslizar camadas atomicamente finas de materiais 2D uma sobre a outra para armazenar mais dados, em menos espaço e usando menos energia.



Um grupo de pesquisa de Stanford criou uma maneira de armazenar dados deslizando camadas atômicas finas de metal uma sobre a outra. Com isso, é possível salvar mais dados em menos espaço do que chips de Silício, além de usar menos energia. A pesquisa liderada por Aaron Lindenberg, professor de ciência e engenharia de materiais em Stanford, seria uma inovação em armazenamento de memória não volátil que os computadores de hoje realizam com tecnologias baseadas em silício.


A inovação é baseada em uma classe de metais recém-descoberta que forma camadas incrivelmente finas, neste caso com apenas três átomos de espessura. Os pesquisadores empilharam essas camadas feitas de um metal conhecido como ditellurida de tungstênio. "A organização das camadas se torna um método para codificar informações", diz Lindenberg, criando algo que armazene dados binários.


Para ler os dados armazenados entre essas camadas variáveis de átomos, os pesquisadores exploram uma propriedade quântica conhecida como curvatura de Berry, que age como um campo magnético para manipular os elétrons no material e ler o arranjo das camadas sem perturbar a pilha.


Jun Xiao, pesquisador de pós-doutorado no laboratório de Lindenberg e primeiro autor do artigo, disse que é preciso pouca energia para mudar as camadas de um lado para o outro. Isso significa que deve usar menos energia para "gravar" um zero ou um no novo dispositivo do que o necessário para as tecnologias de memória não volátil de hoje. Além disso, com base em pesquisas do mesmo grupo publicado na revista Nature, o deslizamento das camadas atômicas pode ocorrer tão rapidamente que o armazenamento de dados pode ser realizado mais de cem vezes mais rápido do que com as tecnologias atuais.


O design do dispositivo protótipo foi baseado em parte em cálculos teóricos. Depois que foi observado resultados experimentais consistentes com as previsões teóricas, foram feitos cálculos adicionais que os levaram a acreditar que refinamentos adicionais em seu design melhorariam muito a capacidade de armazenamento, abrindo caminho para uma nova e distante classe mais poderosa de memória não volátil usando materiais 2D ultrafinos.


A equipe patenteou sua tecnologia enquanto aprimora ainda mais seu protótipo e design de memória. Eles também planejam procurar outros materiais 2D que possam funcionar ainda melhor como meio de armazenamento de dados do que o ditellurida de tungstênio.


Segundo Lindenberg, a conclusão científica “é que pequenos ajustes nessas camadas ultrafinas exercem uma grande influência em suas propriedades. Podemos usar esse conhecimento para projetar dispositivos novos e com eficiência de energia em direção a um futuro sustentável e inteligente.”


Referência:

Andrew Myers. Engineers invent a way to store data without using silicon chips. Stanford Engineering – Materials Science and Engineering, 30 de junho de 2020.


Redação: Nathielle Harka - UNILA
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