Ciência e Engenharia de Materiais: Nanomateriais

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segunda-feira, 3 de abril de 2023

Hidroxiapatita e o Cavalo de Tróia para tumores ósseos

03 abril

  

Resumo: O artigo demonstra que a doxorrubicina (DOX) - uma droga usada para o tratamento de tumores ósseos - mostra acúmulo reversível de hidroxiapatita (HA) em tamanho nano e micro métrico. Com isso, se torna uma ferramenta importante no tratamento da doença.


Os osteossarcomas são tumores (ósseos) sólidos altamente malignos, acometendo geralmente crianças e adolescentes. Metotrexato, doxorrubicina e cisplatina têm sido usados como protocolo de tratamento padrão e esse regime medicamentoso melhorou significativamente o prognóstico dos indivíduos afetados.


No entanto, para os pacientes que não respondem ao tratamento, as opções são poucas. Estudos demonstraram que aproximadamente 40% dos pacientes com osteossarcoma apresentam uma resposta ruim ao protocolo quimioterápico atual e intensificar o regime de tratamento adicionando mais medicamentos não melhora o resultado, mas aumenta a toxicidade.


A hidroxiapatita (HA) é o principal constituinte dos dentes e ossos, de fórmula química Ca10(PO4)6(OH)2, que tem sido extensivamente estudada para diversas aplicações clínicas. Além disso, pode ser sintetizada e moída em partículas em tamanho micro e nano.


As nanopartículas em um volume definido têm a vantagem de ter uma área superficial relativamente maior em comparação com as micropartículas, o que melhora drasticamente as características de carregamento de um agente e, consequentemente, um aumento na capacidade de liberação do fármaco. O foco de pesquisas recentes têm sido ativar biologicamente a HA no tecido alvo para aumentar a eficácia da droga, especialmente no câncer ósseo.


Além disso, estudos mostram efeitos antitumorais da nHA na viabilidade metabólica de vários tipos de células cancerígenas in vitro. No entanto, o efeito antitumoral da nHA puro se mostrou insuficiente para erradicar um tumor estabelecido e, portanto, outros métodos precisam ser explorados para aumentar sua citotoxicidade. 


Com base na estrutura físico-química da HA, o artigo levanta a hipótese de que citostáticos, como DOX, podem ser somados na superfície das partículas de HA, permitindo a administração local controlada de uma droga antitumoral com menos efeitos colaterais.


O estudo realizado foi composto por 3 partes principais: 1) Validação da ligação DOX-HA (doxorrubicina - hidroxiapatita); 2) Liberação lisossômica dependente do pH intracelular e entrega de DOX direcionada às mitocôndrias por nHA e 3) A eficácia das partículas de HA entregando DOX localmente em um xenoenxerto (transplantes de tecidos) de osteossarcoma.


Substitutos ósseos sintéticos baseados em HA têm sido usados durante as últimas décadas para substituir os ossos danificados em traumas ou acidentes. A aplicação de partículas puras de HA na inibição de tumores, particularmente nanopartículas, é um campo de pesquisa que ganhou atenção significativa recentemente. 


Neste estudo, os autores apresentaram que a DOX pode se ligar a HA in vitro e in vivo por meio de uma interação eletrostática, independentemente do tamanho das partículas de HA.


Os autores mostraram que a DOX, uma droga fundamental para o osteossarcoma, mostra agregação de HA particulada de tamanho nano e micro. A DOX administrada sistemicamente procura e liga as partículas de HA com mais afinidade a nHA quando em comparação com o mHA. 


Interações celulares in vitro com nHA funcionalizada com DOX indicam que o composto nHA + DOX leva à entrega intracelular de DOX, mirando na mitocôndria, levando à redução da migração celular e aumento da apoptose - “morte celular programada”.


O composto mHA + DOX pode liberar DOX extracelularmente por um longo período de tempo e, combinando as partículas de nHA e mHA, a biocompatibilidade das partículas de HA pode ser aumentada. 


Ao aplicar o sistema transportador nHA/mHA entregando DOX para o tratamento de um osteossarcoma localizado em um modelo de camundongo, foi mostrada uma redução significativa no crescimento do tumor com o uso de nano/micro HA + DOX. 


Os autores citam que nenhuma nova modalidade de tratamento para tumores ósseos sólidos evoluiu nas últimas três décadas - fundamentando a importância da pesquisa realizada.


A abordagem apresentada pelos autores abre novos caminhos para o tratamento complementar de tumores sólidos localizados. A pesquisa se apresenta como um tratamento completamente novo que utiliza partículas (nano e micro) de hidroxiapatita previamente implantadas localmente, agindo como um cavalo de Tróia em um tumor sólido.

 

Figura 1: Imagens de tomografia computadorizada representativas de cada grupo de teste (controle, apenas DOX, e os compostos desenvolvidos) com linha branca tracejada indicando a captação intratumoral. Fonte: (Liu et al. 2022).




Referência:
LIU, Y.; NADEEM, A.; SEBASTIAN, S.; OLSSON, M. A.; WAI, S. N.; STYRING, E.; ENGELLAU, J.; ISAKSSON, H.; TAGIL, M.; LIDGREN, L.; RAINA, D. B. “Bone mineral: A trojan horse for bone cancers. Efficient mitochondria targeted delivery and tumor eradication with nano hydroxyapatite containing doxorubicin”. Materials Today Bio, Volume 14, 20. https://doi.org/10.1016/j.mtbio.2022.100227



Redação: Rafael Andrade Taveira - UNILA
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segunda-feira, 27 de março de 2023

Nanomateriais utilizados na regeneração óssea

27 março

 

Resumo: Os nanomateriais são promissores no desenvolvimento de opções terapêuticas que incluem substituição de tecidos e órgãos, bem como reparo e regeneração óssea. Nesta publicação, vamos ver os principais nanomateriais utilizados ou que estão sendo explorados para reparação e regeneração óssea.


Os nanomateriais estão atualmente no centro das atenções no campo da regeneração óssea e da engenharia de tecidos em geral. Devido ao seu tamanho em nanoescala, as nanopartículas apresentam maior disponibilidade em sistemas biológicos. O progresso enorme no campo da nanotecnologia de biomateriais contribui para a solução de demandas crescentes no número de enxertos e implantes ósseos funcionais.


Com o envelhecimento cada vez maior da população, a necessidade de vários implantes e scaffolds biomédicos está se tornando um um parâmetro econômico significativo para o sistema de saúde. As substituições de tecidos convencionais (como autoenxertos e aloenxertos), embora existam métodos revolucionários, encontram muitos problemas. 


Considerando que as células interagem com tecidos de tamanho nanométrico e formam uma matriz nanoestruturada, os nanomateriais desempenham um papel fundamental na estimulação da migração e proliferação celular, o que é muito importante para a regeneração do tecido ósseo em particular. 


A nanotecnologia tem recebido grande atenção na engenharia de tecidos e está conectada a muitas disciplinas, como física, química, engenharia, ciências da vida e medicina, representando uma combinação real de diferentes campos. 


Os nanomateriais são atualmente definidos como materiais com unidades estruturais básicas menores que 100 nm em pelo menos uma dimensão e exibem propriedades únicas diferentes de suas contrapartes mais volumosas que os tornaram altamente eficazes em inúmeras aplicações biomédicas.

Figura 1: Escala métrica em nanômetros, na qual a nanoescala (1–100 nm) é comparada entre o macro e o micro. Fonte: (Babuska et al. 2022).


Uma variedade de materiais pode ser usada para preparar nanopartículas, como metais, cerâmicas, polímeros e materiais orgânicos. Scaffolds com nanopartículas podem ser produzidos em nanotubos/nanofibras, que podem simular com ainda mais precisão as dimensões de estruturas naturais do corpo humano, como as fibras de colágeno.


Os materiais nanocristalinos são caracterizados por seus tamanhos de grão extremamente pequenos, o que dá origem a propriedades físicas, químicas e mecânicas únicas em comparação com os materiais correspondentes com tamanhos de grão convencionais. A redução do tamanho do grão de um material fornece propriedades vantajosas, como maior tenacidade e resistência.


Neste caso podemos citar o titânio, um material muito usado para implantes dentários e ortopédicos. Devido às excelentes propriedades, como alta resistência à tração, durabilidade, alta resistência à corrosão, resistência a fluidos corporais e alta biocompatibilidade, o titânio e suas ligas permanecem entre os materiais mais atraentes neste campo.


Estudos mostraram que o titânio em um estado nanoestruturado aponta não apenas pela melhoria de suas características físicas e mecânicas, mas também pela melhoria da resposta celular à interface entre o material e o meio biológico. As nanoestruturas de titânio fornecem uma grande área de superfície e características antibacterianas aprimoradas, osseointegração e interação de proteínas, todas benéficas para implantes médicos.


Agora, vamos falar de nanopartículas. As nanopartículas utilizadas em aplicações médicas costumam ter um tamanho médio de até 200 nm. Devido ao seu pequeno tamanho, formas diferentes e grande área de superfície, elas apresentam maior estabilidade coloidal e, portanto, maior biodisponibilidade. Vejamos a seguir alguns exemplos de nanopartículas que o artigo apresenta e suas vantagens de aplicação na área biomédica.


Nanopartículas de ouro: são as mais interessantes dentre as nanopartículas de metais nobres. As propriedades únicas dessas nanopartículas como boa biocompatibilidade, fácil síntese e funcionalização de superfície, os tornam nanomateriais promissores em aplicações biomédicas, como administração de medicamentos, imagens biológicas, diagnóstico e tratamento de doenças.


Nanopartículas de prata: devido às suas propriedades antibacterianas, a prata e seus compostos têm sido usados para diversos fins médicos há mais de mil anos (mesmo que sem o conhecimento atual). A importância da prata está crescendo, especialmente em um momento em que o aumento da resistência bacteriana é um grande problema global. Hoje, a prata é usada não apenas como agente anti-séptico, mas também por suas propriedades anticancerígenas ou como adjuvante de vacina, agente antidiabético e biossensores.


Nanopartículas de platina: as mais utilizadas são de tamanhos na faixa de 10 a 50 nm. Elas apresentam excelentes propriedades, como biocompatibilidade, biodegradabilidade, osteocondutividade e alta estabilidade. Elas são usadas na detecção de células cancerígenas, redução do estresse oxidativo celular e tratamento da doença de Parkinson. Além de apresentar efeitos bacterio-tóxicos e efeitos citotóxicos nas células cancerígenas.


Nanopartículas de tântalo: o tântalo é um metal com altíssima resistência à corrosão e excelente biocompatibilidade, o que o torna um material promissor para implantes ortopédicos e dentários. O tântalo pode ser fabricado como um material poroso com muitas vantagens, apresentando ótimas propriedades mecânicas e mostra excelente aderência celular e crescimento ósseo interno, resultando em melhor fixação do implante.


Nanopartículas de óxido de ferro: são usadas como agentes de contraste, para terapias de reposição de ferro e para terapias tumorais usando hipertermia tecidual local. As propriedades magnéticas dessas partículas podem ser usadas para a entrega ideal do medicamento no local necessário, o que minimiza os efeitos colaterais e melhora o tratamento de câncer e doenças ósseas.


O artigo cita também nanopartículas de cobre, zinco, magnésio, níquel, óxido de cálcio, óxido de alumínio, nanopartículas de carbono, hidroxiapatita, dentre outros. O que vale muito a leitura do artigo apresentado.


Concluindo, nanomateriais atualmente desempenham um papel importante na pesquisa de engenharia de tecido ósseo. Embora o próprio osso tenha a capacidade de auto-reparação e remodelação, em muitos casos, esses processos não são suficientes, sendo necessária uma intervenção externa. 


Portanto, materiais biocompatíveis para substituir o osso e promover a regeneração dele são necessários, onde os nanomateriais se apresentam muito promissores para esses propósitos. Esses progressos na área de nanomateriais aplicados na engenharia de tecidos (e de regeneração) podem trazer opções inovadoras e revolucionárias de tratamento para a medicina no futuro.



Referência:
BABUSKA, V.; KASI, P. B.; CHOCOLATA, P.; WIESNEROVA, L.; DVORAKOVA, J.; VRZAKOVA, R.; NEKLEIONOVA, A.; LANDSMANN, L.; KULDA, V. “Nanomaterials in Bone Regeneration”. Appl. Sci. 2022, 12, 6793. https://doi.org/10.3390/ app12136793



Redação: Rafael Andrade Taveira - UNILA
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segunda-feira, 20 de março de 2023

Uso, exposição e caracterização ômica de perigo potencial em nanomateriais

20 março

 

Resumo: Os nanomateriais oferecem potencial para um impacto tecnológico positivo nas mais diversas indústrias. No entanto, surgem questões relativas à sua segurança da ampla aplicação de nanomateriais. Neste artigo, serão apresentados alguns aspectos para reflexão desse tema.


Os nanomateriais são normalmente definidos como compostos com menos de 100 nm de tamanho com uma ou mais dimensões espaciais. Devido às suas características físico-químicas sustentáveis, como ponto de fusão, molhabilidade, propriedades ópticas e elétricas, condutividade térmica e atividade catalítica, os nanomateriais ganharam popularidade em várias aplicações.


Ao longo do último meio século, a nanotecnologia forneceu a base para aplicações industriais além do imaginável. O uso de nanomateriais artificiais está aumentando a uma taxa exponencial, assim como a conscientização pública sobre a nanosegurança e os perigos que representam para a saúde humana, o meio ambiente e a sociedade. 


A estimativa do mercado global de nanomateriais variou de 4,1 a 14,7 bilhões de dólares em 2015 e espera-se uma taxa de crescimento anual de 22% até 2025. O crescimento da indústria é impulsionado pela demanda de materiais com alta resistência, novos e duráveis que surgem de aplicações, pesquisa e desenvolvimento na área da nanobiotecnologia.


Os nanomateriais são usados em pesquisa e tratamento biomédico, incluindo bioimagem e biossensores, engenharia de tecido ósseo e antifúngicos. Além disso, os nanomateriais têm sido amplamente utilizados na medicina para o tratamento de várias doenças, incluindo doenças pulmonares crônicas, doenças autoimunes e câncer. 


O conhecimento do mecanismo de toxicidade induzida por nanopartículas é extremamente importante. Os nanomateriais representam um perigo potencial para a saúde do ambiente natural devido ao seu uso sem controle de dosagem e o descarte de resíduos.


No aspecto ambiental, o efeito da exposição dos nanomateriais às plantas é muito afetado pelas características de seus materiais, como agregação das partículas, propriedades de superfície e dissolução. Já no corpo humano, as nanopartículas podem entrar por inalação, ingestão ou penetração na pele.


Algumas nanopartículas, como os nanotubos de carbono por exemplo, podem induzir a formação de tumores, semelhante à toxicidade das fibras cancerígenas de amianto. 


Ao contrário dos estudos de toxicidade convencionais (por resultado experimental), os ômicos permitem o estudo de alterações moleculares celulares simultaneamente em modelos animais e celulares. 


Inovações recentes em instrumentação, ferramentas bioinformáticas e tecnologias modernas de triagem são aplicadas para prever e estimar a segurança das aplicações dos nanomateriais. A caracterização ômica demonstra que os efeitos moleculares dos nanomateriais podem variar de acordo com suas propriedades físico-químicas. 


Por exemplo, as nanopartículas usadas para estimular reações bioquímicas específicas em plantas podem desempenhar um papel na promoção do crescimento vegetal e na sobrevivência de plantas em condições abaixo do ideal, mas é difícil avaliar a segurança do consumo dessas plantas.


Concluindo, a toxicidade dos nanomateriais ainda é um campo a ser muito estudado. Para modelar e prever melhor a adaptação a longo prazo de um sistema biológico exposto aos nanomateriais, é essencial realizar estudos sistemáticos e integrativos. Ou seja, o compartilhamento de informações sobre nanotoxicidade é algo fundamental para avançarmos no entendimento do assunto.


Sendo assim, os nanomateriais trazem aplicações extensas e vantajosas devidos às suas propriedades particulares. Porém, devemos ter um certo cuidado ao manusear esses materiais até termos uma visão mais clara sobre seus danos à saúde.



Referência:
MA, N. L.; ZHANG, N.; YONG, W. T. L.; MISBAH, S.; HASHIM, F.; SOON, C. F.; LIM, G. P.; PENG, W.; SONNE, C.. “Use, exposure and omics characterisation of potential hazard in nanomaterials”. Materials Today Advances, Volume 17, 2023, 100341, ISSN 2590-0498, https://doi.org/10.1016/j.mtadv.2023.100341



Redação: Rafael Andrade Taveira - UNILA
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segunda-feira, 13 de março de 2023

Aplicação industrial de membranas cerâmicas de nanofiltração para tratamento de águas em minas de areias betuminosas

13 março

 

Resumo: Uma unidade comercial de nanofiltração de membrana cerâmica de TiO2 foi testada em escala industrial por dois anos no tratamento de águas de uma mina de areais beruminosas canadense. Os resultados mostram que a unidade consegue remover boa parte de íons presentes, entre 75 a 90% do carbono orgânico total (TOC) e praticamente 100% do total de sólidos suspensos (TSS).


O trabalho descrito nesse artigo avalia a performance de uma unidade de nanofiltração de membrana de titânia (TNU) que consiste em dois containers de 12,2 m de comprimento, para tratamento de águas recicladas do processo de obtenção de petróleo em minas de areias betuminosas. 


A corrente de rejeitos desse processo é composta de aproximadamente 44% em peso de água, 1% em peso de betume residual e 55% em peso de sólidos, dos quais 82% em peso são areia e 17% em peso são sólidos suspensos (TSS) e ainda a presença de metais pesados e moléculas orgânicas indesejáveis (TOC). 


Cada módulo de separação é composto por 45 membranas de titânia, e cada membrana, com comprimento de de 1200 mm, possui 151 canais com aproximadamente 2 mm de diâmetro (Figura 1). As membranas de TiO2 da unidade são cilíndricas e multicamadas e a camada de separação possui poros com diâmetro médio de 0,9 nm (Figura 2). Os parâmetros para caracterizar o desempenho da TNU são a presença de íons, partículas sólidas suspensas (TSS) e carbono orgânico total (TOC) na corrente permeada.


Figura 1: (a) Módulo de separação com 45 membranas e (b) membrana de titânia com 151 canais.


Figura 2: SEM da seção transversal da membrana de titânia. (A) suporte de alta porosidade de isopropóxido de titânio, (B) camada de titânia com porosidade de 5 nm, (C) camada de zircônia, com porosidade 3 nm e (D) camada final de titânia-zircônia, com porosidade de 0,9 nm.


Os resultados registram uma diminuição da carga iônica no permeado, variando entre aproximadamente 45- 75% dependendo do tipo de íons; porém, a rejeição de TOC e TSS na nanofiltração foi altamente satisfatória, atingindo a retenção acima de 75% e praticamente 100%, respectivamente. Também se apresentou uma redução do fluxo do 63% devido ao fouling. Após de aproximadamente 1500 h foi necessária uma limpeza química in situ que recuperou 10% do fluxo prévio ao fouling. 


Adicionalmente, os resultados mostram que os fluxos reduzidos por causa do fouling permitiram uma rejeição maior de partículas. O artigo conclui que a implementação da TNU para tratamento de água de mineração em escala industrial é possível e pode ser utilizada em conjunto com outras técnicas, como a osmose reversa, para reduzir significativamente a coleta de água dos rios e o armazenamento da água processada.



Referência:
S. M. Cabrera, L. Winnubst, H. Richter, I. Voigt, A. Nijmeijer. Industrial application of ceramic nanofiltration membranes for water treatment in oil sands mines. Separation and PurificationTechnology, v. 256, 1 fev. 2021. DOI: 10.1016/117821



Redação: Nahuel Eduardo Maldonado - Engenharia de Materiais - UNILA
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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Nanomateriais de carbono para fototerapia

28 novembro

 


Resumo: A fototerapia atrai um interesse no campo da aplicação biológica devido à sua natureza não invasiva e seletiva. Nanomateriais de carbono foram utilizados como agentes de fototerapia eficientes para uma grande variedade de aplicações fototerapêuticas, incluindo tratamento de câncer e doença de Alzheimer.


A fototerapia, como terapia minimamente invasiva, é amplamente aplicada para terapia de câncer e outras aplicações biomédicas. Um processo fototerapêutico típico envolve fontes de luz e agentes fototerapêuticos (PAs - phototherapeutic agents) que podem converter a luz em energia térmica como terapia fototérmica (PTT - photothermal therapy) ou em energia química, como terapia fotodinâmica (PDT - photodynamic therapy).


Os agentes fototerapêuticos (PAs) atualmente usados incluem moléculas orgânicas, óxidos de metais nobres e nanopartículas semicondutoras. Sendo assim, os nanomateriais de carbono (CNMs - carbon nanomaterials) apresentam boa biocompatibilidade, difusão nos tecidos profundos e fortes características de absorção óptica e demonstram ser desejáveis para várias aplicações fototerapêuticas.


Embora a maioria dos materiais de carbono sejam inativos como agentes fototerápicos, estratégias de tratamentos de superfície foram desenvolvidas para auxiliar os agentes fototerapêuticos de nanomateriais de carbono a apresentarem bom desempenho na fototerapia. O design de materiais à base de carbono como agentes de fototerapia podem ser divididos em três categorias: reduzindo a hidrofobicidade para aumentar a solubilidade em água, alcance para especificar e alcançar tecidos danificados e melhorando a resposta de fótons no infravermelho próximo (NIR -  near-infrared).


O artigo aponta que os nanomateriais de carbono exibem boas atividades fotorresponsivas e estabilidades que mostram grande potencial para fototerapia. Várias estratégias de tratamento de superfície foram desenvolvidas pelos autores para melhorar aspectos como a baixa solubilidade em água, a fraca absorção de infravermelho e a fraca capacidade de direcionamento dos nanomateriais de carbono.


Os autores afirmam que para maximizar os efeitos no tratamento de tumores e outras doenças, os nanomateriais de carbono precisam ser combinados com agentes fototerapêuticos responsivos ao infravermelho e outras estratégias no campo. Por conta disso, a maioria dos nanomateriais de carbono respondem parcialmente ao infravermelho, levando a limitações na penetração do tecido biológico. 


Assim, afirmam que o desenvolvimento de agentes fototerapêuticos mais avançados são necessários para ultrapassar a barreira do infravermelho e maximizar o tempo de circulação sanguínea para melhorar a conversão de energia luminosa em energia térmica ou química. 


Os autores concluem o estudo acreditando que as questões das limitações e desenvolvimento de nanomateriais de carbono mais avançados serão resolvidas com o desenvolvimento rápido da ciência e engenharia de materiais, no estudo de superfícies, na medicina catalítica e na tecnologia fototerapêutica. Além disso, afirmam que os nanomateriais de carbono irão revolucionar o campo da fototerapia e terão um impacto visível na vida do ser humano.




Referência:
X. WANG, L. ZHU, Z. GU, L. DAI. "Carbon nanomaterials for phototherapy" Nanophotonics, 2022. https://doi.org/10.1515/nanoph-2022-0574


Redação: Rafael Andrade Taveira - Engenharia de Materiais - UNILA
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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Entrega lipossômica sensível ao pH de fingolimode e borano de amônia para o tratamento de hemorragia intracerebral

07 novembro

 

Resumo: A pesquisa realizada pelos autores teve como objetivo desenvolver um novo sistema de entregas de drogas direcionadas e priorizadas, resultando em lipossomas sensíveis ao pH. Os produtos resultantes da pesquisa foram encapsulados nos lipossomas para integrar dois medicamentos para tratar a hemorragia intracerebral de forma mais eficaz.


A hemorragia intracerebral (HIC) é um dos tipos mais devastadores de AVC (acidente vascular cerebral). É responsável por cerca de 15% de todos os AVCs e culmina em alta mortalidade e incapacidade. Além disso, a lesão cerebral após a HIC é iniciada pelo dano mecânico causado pelo hematoma inicial, que é seguido por lesões cerebrais secundárias.


O fingolimode (fármaco imunossupressor) é uma terapia oral aprovada para esclerose múltipla (EM). Não só reduz o dano inflamatório, mas também promove a neuroproteção. O artigo aponta estudos clínicos recentes que mostraram que o fingolimode reduz efetivamente as lesões secundárias após a HIC, modulando a inflamação sistêmica e protegendo a permeabilidade vascular.


Os lipossomas são amplamente utilizados como carreadores de fármacos devido a boa biocompatibilidade, não tóxico e por ser biodegradável, alta eficiência de entrega e uma versátil modificação de estrutura. Além disso, os lipossomas podem ser produzidos com tamanho apropriado variando de 50 nm a 150 nm, com um efeito aprimorado de permeabilidade e retenção (EPR - enhanced permeability and retention). 


No entanto, o próprio lipossoma não se acumula especificamente nos locais onde ocorre a hemorragia intracerebral. Com isso, os estudos de nanomateriais específicos são usados para modificar os lipossomas. O desenvolvimento de lipossomas sensíveis ao pH para o tratamento da HIC no artigo apresentado se baseia no fato de que disfunção mitocondrial e sobrecarga intracelular após a HIC pode induzir falha de energia cerebral e ambiente com ácido local.


Neste artigo, os autores encapsularam o fingolimode e borano de amônia em lipossomas sensíveis ao pH para a penetração aprimorada da barreira hematoencefálica, segmentação de área da hemorragia intracerebral e, com isso, resultando efeitos colaterais limitados durante a circulação sanguínea. De acordo com os resultados apresentados pelos autores, a queda do pH aumentou a liberação de fármacos encapsulados em nanopartículas. 


Os mecanismos patológicos do hematoma após a HIC, incluindo estresse oxidativo e respostas inflamatórias, desencadeiam uma série de eventos adversos causando lesões cerebrais secundárias e déficits neurológicos graves subsequentes. Para contornar esse problema, foram usados lipossomas sensíveis ao pH como plataformas para projetar nanocarreadores com baixa citotoxicidade, que foram adequados para liberação de drogas em toda a barreira hematoencefálica.


O artigo conclui que os autores desenvolveram um lipossoma sensível ao pH encapsulado de fingolimode com borano de amônia, que inibiu efetivamente a inflamação relacionada à lesão cerebral induzida pela hemorragia intracerebral, bem como estresse oxidativo e, portanto, desempenhou um papel neuroprotetor após a hemorragia.




Referência:
G. Xiyu, F. Xingyu, H. Yongju, W. Yingwei, Z. Fangfang and Y. Binbin. "A pH-sensitive liposomal co-delivery of fingolimod and ammonia borane for treatment of intracerebral hemorrhage" Nanophotonics, 2022. https://doi.org/10.1515/nanoph-2022-0496 


Redação: Rafael Andrade Taveira - Engenharia de Materiais - UNILA
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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Nanofibras que protegem contra explosivos

27 agosto

Resumo: Um grande problema enfrentado por soldados é a falta de proteção com uma maior eficiência. Assim, um grupo de pesquisadores desenvolveram um material que pudesse proteger alguém que trabalha em um ambiente extremo, explorando a relação entre proteção mecânica e isolamento térmico.




Desde a Primeira Guerra Mundial, a maioria dos ferimentos não eram por balas e sim por explosões. Hoje, a maioria dos soldados usam colete à prova de balas, porem uma grande parte do corpo ainda permanece exposta a possíveis fragmentos e estilhaços explosivos.

Tem sido muito difícil projetar algo que projeta contra temperaturas extremas, e que ainda projeta contra projéteis que possam causar explosões, isso acontece por causa de uma propriedade fundamental dos materiais. Assim, grande parte dos coletes são compostos por várias camadas de materiais diferentes, levando a coletes pesados e volumosos, que se usados nos braços e pernas, limitariam severamente a mobilidade de um soldado.


Pesquisadores de Universidade de Harvard em colaboração com o Centro de Soldados do Comando de Desenvolvimento de Capacidades de Combate do Exército dos Estados Unidos da América (CCDC SC) e West Point, desenvolveram um material leve e multifuncional de nanofibras que pode proteger os soldados de temperaturas extremas e ameaças balísticas.


“Quando eu estava em combate no Afeganistão, vi como um colete poderia salvar vidas”, disse Kit Parker, professor de Bioengenharia e Física aplicada na Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas John A. Paulson de Harvard (SEAS). “Também vi o quanto coletes pesados poderiam limitar a mobilidade. Como soldados no campo de batalha, as três tarefas principais são mover, atirar e se comunicar. Se você limitar uma delas, diminui a capacidade de sobrevivência e coloca em risco o sucesso da missão."


"Nosso objetivo era projetar um material multifuncional que pudesse proteger alguém que trabalha em um ambiente extremo, como astronauta, bombeiro ou soldado, das diversas ameaças que enfrentam", disse Grant M. Gonzalez, que tem pós-doutorado no SEAS e foi o primeiro autor do artigo. Para atingir esse objetivo, os pesquisadores precisaram explorar a relação entre proteção mecânica e isolamento térmico, que são propriedades da estrutura e da orientação molecular de um material.


Materiais com forte proteção mecânica, como metais e cerâmicas, possuem uma estrutura molecular altamente ordenada e alinhada. Essa estrutura permite suportar e distribuir a energia de um golpe direto. Os materiais isolantes, por outro lado, têm uma estrutura menos ordenada, o que impede a transmissão de calor através do material.


Kevlar e Twaron são produtos comercialmente usados em equipamentos de proteção e podem fornecer proteção balística ou térmica, dependendo de como são fabricados. O tecido de Kevlar, por exemplo, possui uma estrutura cristalina altamente alinhada e é usado em coletes à prova de balas. Os aerogéis de Kevlar porosos, por outro lado, demonstraram ter alto isolamento térmico.

"Nossa idéia era usar o Kevlar para combinar a estrutura ordenada de fibras de tecidos com a porosidade dos aerogéis para criar fibras longas e contínuas com espaçamento poroso no meio", disse Gonzalez. "Nesse sistema, as fibras longas podem resistir a um impacto mecânico, enquanto os poros limitam a difusão de calor".


A equipe de pesquisa utilizou a técnica immersion Rotary Jet-Spinning (iRJS) para fabricar as fibras. Nesta técnica, uma solução de polímero líquido é carregada em um reservatório e empurrada por uma pequena abertura. Quando a solução de polímero dispara para fora do reservatório, ela primeiro passa por uma área ao ar livre, onde os polímeros se alongam e as cadeias poliméricas se alinham. Em seguida, a solução passa por um banho líquido que remove o solvente e precipita os polímeros para formar fibras sólidas. Ajustando a viscosidade da solução do polímero, os pesquisadores conseguiram transformar as nanofibras longas e alinhadas em folhas porosas, fornecendo ordem suficiente para proteger contra projéteis, mas desordem suficiente para proteger contra o calor.


Para testar as folhas, a equipe de Harvard procurou seus colaboradores para realizar testes balísticos. Foi simulado o impacto dos estilhaços disparando grandes projéteis na amostra. A equipe realizou testes prensando as folhas de nanofibras entre folhas de tecido de Twaron. Eles observaram pouca diferença na proteção entre uma pilha de folhas de tecido de Twaron e uma pilha combinada de tecido de Twaron e nanofibras.


"As colaborações acadêmicas, especialmente as de universidades como Harvard, oferecem ao CCDC SC a oportunidade de aproveitar a experiência e as instalações de ponta para aumentar nossas próprias capacidades de pesquisa e desenvolvimento", disse Kathleen Swana, pesquisadora do CCDC SC e uma das autoras do artigo.


Em testes de proteção térmica, os pesquisadores descobriram que as nanofibras forneciam 20 vezes a capacidade de isolamento térmico dos Twaron e Kevlar comerciais.


"Mostramos que é possível desenvolver têxteis altamente protetores para pessoas que trabalham nas forças armadas", disse Parker. "Nosso desafio agora é evoluir os avanços científicos em produtos inovadores para meus irmãos e irmãs das forças armadas".


O Departamento de Desenvolvimento Tecnológico de Harvard entrou com um pedido de patente para a tecnologia e está buscando ativamente oportunidades de comercialização.


A pesquisa está publicada na revista Matter.



Referência:
Harvard John A. Paulson School of Engineering and Applied Sciences. Multifunctional nanofiber protects against explosions. Phys.org, 29 de junho, 2020: DOI: 10.1016/j.matt.2020.06.001 

Redação: Nathielle Harka
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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Tendências e desafios atuais no tratamento e terapia do câncer com nanomateriais

17 outubro
Resumo: Os avanços na nanotecnologia estão abrindo novos horizontes no campo da medicina, as nanopartículas que transportam medicamentos são o futuro para o tratamento e a terapia, não só do câncer, também de outras doenças.


A aplicação de nanomateriais na medicina emergiu como uma área de grande interesse para o tratamento de doenças que nos últimos anos foram abordadas de maneira muito limitada. Nesse paradigma, a nanotecnologia está sendo adotada para obter um suprimento eficaz de medicamentos, estabelecer novos diagnósticos in vitro e desenvolver implantes baseados em nanoescala.

O estudo em nível molecular dos fenômenos biológicos associados ao câncer nos permite uma melhor compreensão dos mesmos; assim como o desenvolvimento de novas alternativas para que no futuro possam melhorar a expectativa de vida e controlar a doença, com o uso das ferramentas nanotecnológicas disponíveis, isso está se tornando cada vez mais uma realidade.

Existem vários métodos para a síntese de nanopartículas, o fármaco ou principio ativo podem ser incorporados por absorção, adsorção, encapsulamento ou por ligações covalentes, isto, dependendo das propriedades físicas e químicas das nanopartículas utilizadas, já que estão intimamente relacionadas à sua eficiência de desempenho.

Atualmente, houve um progresso significativo no uso de nanomateriais, projetados para o tratamento de câncer com alta especificidade, sensibilidade e eficácia. Eles podem atacar previsivelmente as células cancerígenas e fornecer cargas úteis encapsuladas de forma eficaz, com distribuição controlada e, em alguns casos, até seletiva, o que é alcançado através da modificação de sua composição, tamanho, morfologia e química da superfície.

Até o momento, vários tipos de nanomateriais, sejam poliméricos, nanopartículas metálicas, materiais à base de carbono, lipossomos e dendrímeros, demonstraram perfis farmacocinéticos e farmacodinâmicos melhorados, em relação às formulações convencionais. Assim, os dados presentes na literatura sugerem que a nanotecnologia fornecerá plataformas de nova geração para tratamento do câncer e terapia contra essa condição.

Prevê-se que os nanomateriais revolucionem todo o sistema de saúde com base nos dramáticos desenvolvimentos realizados no setor de suprimentos de fármacos nas últimas décadas. No entanto, o design de um nanoterapêutico eficaz contra o câncer continua sendo um grande desafio, e apenas algumas nanoformulações entraram em ensaios clínicos. 

Apesar das inúmeras vantagens da terapêutica do câncer em escala nanométrica, a tradução clínica dessas nanomedicinas continua sendo uma missão desafiadora. Devido à falta de entendimento da toxicidade e do comportamento in vivo das nanoformulações, os ensaios clínicos estão passando por contratempos significativos. Com esse panorama, pode-se imaginar que é possível melhorar os materiais para nanomedicina da próxima geração por meio de um design inteligente, e novos desenvolvimentos podendo fornecer melhores estratégias de gerenciamento do câncer.

Referência:
P. N. Navya, Anubhav Kaphle, S. P. Srinivas, Suresh Kumar Bhargava, Vincent M. Rotello, Hemant Kumar Daima. Current trends and challenges in cancer management and therapy using designer nanomaterials. Nano Convergence, 2019; 6 (23): DOI: https://doi.org/10.1186/s40580-019-0193-2

Redação: Guillermo Lugo
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Agrupamento de nanomateriais e a ecotoxicidade aquática em um contexto regulatório

17 outubro
Resumo: A necessidade de informações sobre o comportamento dos nanomateriais levou a investigações sobre suas propriedades físico-químicas, toxicologia e suas nanoformas, a fim de obter uma declaração de perigo e regularização.

A informação de uma substância é usada para preparar uma declaração de perigo, quantitativa ou qualitativa; essas informações em análise podem ser usadas como um parâmetro de comparação com outra substância que possui estresse tóxico semelhante, agindo em organismos vivos, e essas semelhanças podem ser modo de ação, cinético-tóxico ou metabolismo.

Para o agrupamento e leitura de nanomateriais de acordo com os autores K. Schwirn; D. Völker, os parâmetros como morfologia, propriedades da superfície, forma, bem como reatividade, taxa de dissolução e estabilidade da dispersão nos meios relevantes, são analisados para consideração junto com a composição química.

Nesta publicação, discutimos dados sobre problemas de ecotoxicidade aquática que representam diferentes níveis tróficos (algas e dáfnias), identificando questões importantes que são cruciais na aplicação de abordagens de agrupamento ou leitura entre nanomateriais em um contexto regulatório. Ter uma mensagem a transmitir, que é a conscientização da complexidade do problema e as necessidades presentes para que os agrupamentos de nanomateriais sejam viáveis e a ecotoxicidade aplicada no contexto regulatório. Conjuntos de dados sobre nanoformas de quatro substâncias (prata, CeO2, Fe2O3 e TiO2) foram escolhidos para destacar os desafios da construção de agrupamentos e hipóteses análogos para nanomateriais e ecotoxicidade aquática. Selecionados para desenvolver, verificar e revisar hipóteses de analogia para o agrupamento de nanoformas escolhidas para pontos finais relacionados à toxicidade aquática.

A prata foi escolhida em diferentes formas, incluindo fios, nanofios e uma forma esférica para investigar a influência da forma na potência para induzir efeitos perigosos nos organismos aquáticos, juntamente com a influência da dissolução. Dados sobre o comportamento de dissolução foram resgatados de meios como ADaM e água. Foram coletados vários resultados para as várias formas em relação à sua ecotoxicidade; a investigação microscópica da dáfnia exposta mostrou que uma quantidade considerável de (nano) fios foi levada para o intestino. É concebível que efeitos mecânicos adicionais (por exemplo, bloqueio ou deterioração do trato digestivo) e / ou um aumento local na liberação de íons devido a mudanças nas condições do sistema intestinal em comparação com os meios de teste possam levar a uma maior toxicidade observada para os dáfnidos.

Para nanomateriais pouco solúveis de diferentes nanoformas de TiO2, CeO2 e Fe2O3 foram estudados para compreender melhor a relevância do tamanho dos parâmetros, o tamanho da aglomeração, a reatividade e a solubilidade no agrupamento. Para CeO2 e Fe2O3, o estudo mostra uma ligação mais baixa de partículas às algas dessas nanoformas que apresentam valores mais altos de CE50 (média da máxima concentração efetiva) para nanoformas com menor CE50, é observada uma interação extensa entre partículas e células de algas.

O estudo desses artigos demonstra que o agrupamento de nanoformas de uma substância com o objetivo de transferir os dados disponíveis é importante para enfrentar os desafios na avaliação de inúmeros nanomateriais e demonstra notavelmente que é apenas o começo desde que a avaliação tentou construir e verificar hipóteses de agrupamento para nanoformas selecionadas das mesmas substâncias com base nos dados disponíveis de dois projetos de pesquisa para investigar a relevância das propriedades físico-químicas. Os resultados indicam que a previsão do potencial ecotoxicológico das nanoformas permanece muito difícil devido à interação de várias propriedades intrínsecas e extrínsecas das nanoformas e, portanto, é limitada.

Referência:
K. Schwirn; D. Völker. Hazard grouping of nanomaterials for daphnia and algae toxicity: lessons learned from scientific projects for regulatory applicability. Environmental Sciences Europe, 2019; 31 (48) DOI:  https://doi.org/10.1186/s12302-019-0226-9

Imagem: Alex Hyde. Water fleas (Daphnia sp.) and Volvox aureus (a Chlorophyte or green alga) in water from a garden pond. Derbyshire, UK. September. Digital composite. Link: https://alexhyde.photoshelter.com/image/I0000w27s1imFRqk 

Redação: Luis Roman
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