Ciência e Engenharia de Materiais: Metais

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segunda-feira, 27 de março de 2023

Nanomateriais utilizados na regeneração óssea

27 março

 

Resumo: Os nanomateriais são promissores no desenvolvimento de opções terapêuticas que incluem substituição de tecidos e órgãos, bem como reparo e regeneração óssea. Nesta publicação, vamos ver os principais nanomateriais utilizados ou que estão sendo explorados para reparação e regeneração óssea.


Os nanomateriais estão atualmente no centro das atenções no campo da regeneração óssea e da engenharia de tecidos em geral. Devido ao seu tamanho em nanoescala, as nanopartículas apresentam maior disponibilidade em sistemas biológicos. O progresso enorme no campo da nanotecnologia de biomateriais contribui para a solução de demandas crescentes no número de enxertos e implantes ósseos funcionais.


Com o envelhecimento cada vez maior da população, a necessidade de vários implantes e scaffolds biomédicos está se tornando um um parâmetro econômico significativo para o sistema de saúde. As substituições de tecidos convencionais (como autoenxertos e aloenxertos), embora existam métodos revolucionários, encontram muitos problemas. 


Considerando que as células interagem com tecidos de tamanho nanométrico e formam uma matriz nanoestruturada, os nanomateriais desempenham um papel fundamental na estimulação da migração e proliferação celular, o que é muito importante para a regeneração do tecido ósseo em particular. 


A nanotecnologia tem recebido grande atenção na engenharia de tecidos e está conectada a muitas disciplinas, como física, química, engenharia, ciências da vida e medicina, representando uma combinação real de diferentes campos. 


Os nanomateriais são atualmente definidos como materiais com unidades estruturais básicas menores que 100 nm em pelo menos uma dimensão e exibem propriedades únicas diferentes de suas contrapartes mais volumosas que os tornaram altamente eficazes em inúmeras aplicações biomédicas.

Figura 1: Escala métrica em nanômetros, na qual a nanoescala (1–100 nm) é comparada entre o macro e o micro. Fonte: (Babuska et al. 2022).


Uma variedade de materiais pode ser usada para preparar nanopartículas, como metais, cerâmicas, polímeros e materiais orgânicos. Scaffolds com nanopartículas podem ser produzidos em nanotubos/nanofibras, que podem simular com ainda mais precisão as dimensões de estruturas naturais do corpo humano, como as fibras de colágeno.


Os materiais nanocristalinos são caracterizados por seus tamanhos de grão extremamente pequenos, o que dá origem a propriedades físicas, químicas e mecânicas únicas em comparação com os materiais correspondentes com tamanhos de grão convencionais. A redução do tamanho do grão de um material fornece propriedades vantajosas, como maior tenacidade e resistência.


Neste caso podemos citar o titânio, um material muito usado para implantes dentários e ortopédicos. Devido às excelentes propriedades, como alta resistência à tração, durabilidade, alta resistência à corrosão, resistência a fluidos corporais e alta biocompatibilidade, o titânio e suas ligas permanecem entre os materiais mais atraentes neste campo.


Estudos mostraram que o titânio em um estado nanoestruturado aponta não apenas pela melhoria de suas características físicas e mecânicas, mas também pela melhoria da resposta celular à interface entre o material e o meio biológico. As nanoestruturas de titânio fornecem uma grande área de superfície e características antibacterianas aprimoradas, osseointegração e interação de proteínas, todas benéficas para implantes médicos.


Agora, vamos falar de nanopartículas. As nanopartículas utilizadas em aplicações médicas costumam ter um tamanho médio de até 200 nm. Devido ao seu pequeno tamanho, formas diferentes e grande área de superfície, elas apresentam maior estabilidade coloidal e, portanto, maior biodisponibilidade. Vejamos a seguir alguns exemplos de nanopartículas que o artigo apresenta e suas vantagens de aplicação na área biomédica.


Nanopartículas de ouro: são as mais interessantes dentre as nanopartículas de metais nobres. As propriedades únicas dessas nanopartículas como boa biocompatibilidade, fácil síntese e funcionalização de superfície, os tornam nanomateriais promissores em aplicações biomédicas, como administração de medicamentos, imagens biológicas, diagnóstico e tratamento de doenças.


Nanopartículas de prata: devido às suas propriedades antibacterianas, a prata e seus compostos têm sido usados para diversos fins médicos há mais de mil anos (mesmo que sem o conhecimento atual). A importância da prata está crescendo, especialmente em um momento em que o aumento da resistência bacteriana é um grande problema global. Hoje, a prata é usada não apenas como agente anti-séptico, mas também por suas propriedades anticancerígenas ou como adjuvante de vacina, agente antidiabético e biossensores.


Nanopartículas de platina: as mais utilizadas são de tamanhos na faixa de 10 a 50 nm. Elas apresentam excelentes propriedades, como biocompatibilidade, biodegradabilidade, osteocondutividade e alta estabilidade. Elas são usadas na detecção de células cancerígenas, redução do estresse oxidativo celular e tratamento da doença de Parkinson. Além de apresentar efeitos bacterio-tóxicos e efeitos citotóxicos nas células cancerígenas.


Nanopartículas de tântalo: o tântalo é um metal com altíssima resistência à corrosão e excelente biocompatibilidade, o que o torna um material promissor para implantes ortopédicos e dentários. O tântalo pode ser fabricado como um material poroso com muitas vantagens, apresentando ótimas propriedades mecânicas e mostra excelente aderência celular e crescimento ósseo interno, resultando em melhor fixação do implante.


Nanopartículas de óxido de ferro: são usadas como agentes de contraste, para terapias de reposição de ferro e para terapias tumorais usando hipertermia tecidual local. As propriedades magnéticas dessas partículas podem ser usadas para a entrega ideal do medicamento no local necessário, o que minimiza os efeitos colaterais e melhora o tratamento de câncer e doenças ósseas.


O artigo cita também nanopartículas de cobre, zinco, magnésio, níquel, óxido de cálcio, óxido de alumínio, nanopartículas de carbono, hidroxiapatita, dentre outros. O que vale muito a leitura do artigo apresentado.


Concluindo, nanomateriais atualmente desempenham um papel importante na pesquisa de engenharia de tecido ósseo. Embora o próprio osso tenha a capacidade de auto-reparação e remodelação, em muitos casos, esses processos não são suficientes, sendo necessária uma intervenção externa. 


Portanto, materiais biocompatíveis para substituir o osso e promover a regeneração dele são necessários, onde os nanomateriais se apresentam muito promissores para esses propósitos. Esses progressos na área de nanomateriais aplicados na engenharia de tecidos (e de regeneração) podem trazer opções inovadoras e revolucionárias de tratamento para a medicina no futuro.



Referência:
BABUSKA, V.; KASI, P. B.; CHOCOLATA, P.; WIESNEROVA, L.; DVORAKOVA, J.; VRZAKOVA, R.; NEKLEIONOVA, A.; LANDSMANN, L.; KULDA, V. “Nanomaterials in Bone Regeneration”. Appl. Sci. 2022, 12, 6793. https://doi.org/10.3390/ app12136793



Redação: Rafael Andrade Taveira - UNILA
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Camadas 2D de platina usadas como sensor químico

09 dezembro

 



Resumo: Pesquisadores da Chalmers University of Technology, na Suécia, descobriram a possibilidade de preparar camadas 2D de platina com um átomo de espessura para ser usada como sensor químico pelo método de deposição física a vapor.



Um esquema de átomos de platina depositados na superfície do carbono, que é um material isolante 2-D semelhante ao grafeno desenvolvido epitaxialmente em carboneto de silício, permite o crescimento bidimensional da platina. O objetivo da pesquisa é o desenvolvimento de materiais 2-D além do grafeno.


"Em poucas palavras, conseguimos fazer uma camada de metal com apenas um átomo de espessura, uma espécie de novo material. Descobrimos que este metal atomicamente fino é muito sensível ao ambiente químico. Sua resistência elétrica muda significativamente quando interage com gases, "explica Kyung Ho Kim, pós-doutorado no Laboratório de Física de Dispositivos Quânticos do Departamento de Microtecnologia e Nanociência da Chalmers e principal autor do artigo.


"A fina camada atômica de platina pode ser usada para detecção elétrica ultrassensível e rápida de produtos químicos. Estudamos o caso da platina, mas outros metais como o paládio produzem resultados semelhantes", diz Samuel Lara Avila, professor associado do Quantum Device Laboratório de Física e um dos autores do artigo.


Com isso, os pesquisadores conseguiram detectar gases tóxicos no nível de partes por bilhão. Isso foi demonstrado com a detecção de benzeno, um composto que é cancerígeno mesmo em concentrações muito pequenas e para o qual não existe nenhum aparelho de detecção de baixo custo. Usar metais atomicamente finos pode nos levar para futuras aplicações de monitoramento da qualidade do ar.


Porém, aumentar a sensibilidade dos sensores de gás de estado sólido incorporando materiais nanoestruturados como o elemento de detecção ativo pode ser complicado por efeitos nas interfaces, que pode limitar a leitura do sensor.


Este trabalho relata a preparação de camadas de platina na espessura de um átomo, por deposição física a vapor sobre a camada de carbono zero (também conhecida como camada tampão) crescida epitaxialmente em carboneto de silício. Com uma camada fina de Pt de 3–4 Å, a condutividade elétrica do metal é fortemente modulada ao interagir com analitos químicos.


Os resultados foram publicados recentemente na revista científica Advanced Material Interfaces.




Referência:

Joshua Worth. Single-atom-thin platinum makes a great chemical sensor. Chalmers University of Technology. Phys.org, setembro de 2020; DOI: 10.1002/admi.201902104


Redação: Nathielle Harka - UNILA
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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Eletrólitos poliméricos no estado sólido para baterias de alto rendimento de lítio metálico

22 outubro

Resumo: As células eletroquímicas que contém ânodos metálicos são de grande interesse para aplicações elétricas, mas a eletrodeposição desigual e a mal reversibilidade do ânodo, que surge de várias instabilidades químicas, morfológica, mecânica e hidrodinâmica, limitam seu progresso. Com os eletrólitos de estado sólido baseados em redes de polímero reticulado em uma célula com anodos de lítio metálico se conseguiu superar essas dificuldades.


Os dispositivos de armazenamento de energia elétrica seguros, rentáveis e duradouros são essenciais para manter o seu progresso, as baterias de lítio metálico são atrativas pois oferecem o potencial de aumentar a capacidade do ânodo e permitem o uso de catodos de maior energia. Atualmente existe uma dificuldade para encontrar materiais que simultaneamente ofereçam rigidez mecânica suficiente para desacelerar a cinética de crescimento dos depósitos metálicos e proporcionar transporte de íons interfaciais.

Em estudos recentes, as redes densas baseadas em polieter com alta densidade de reticulação são efetivas para superar as baixas densidades de corrente. Os eletrólitos líquidos que incorporam polímeros de alta massa molar para formar emaranhados moleculares no liquido e que conferem viscoelasticidade são efetivos para estabilizar a deposição de metais a densidades de corrente intermediarias, particularmente em eletrodos compostos de metais alcalinos moles.

Foi realizado um processo de polimerização em massa, fácil e simples que não requer solvente. Especificadamente, se agrega polietilenoglicol dimetacrilato (PEGDMA) ao éter bis(2-metoxietílico) (Diglima), resultando em uma boa estabilidade química com um eletrodo de metal de Li e, devido as fortes interações, tem uma baixa viscosidade na ausência de qualquer solvente.

A reticulação foi obtida expondo as misturas a luz ultravioleta, e o resultado é uma membrana resistente e elástica de aproximadamente 100 μm de espessura firmemente unida ao substrato subjacente. O aumento do conteúdo de PEGDMA tem como resultado uma maior densidade de reticulação, o que conduz as membranas que são macroscopicamente mais elásticas e mecanicamente mais fortes.

A membrana reticulada poderia ser usada como interface de eletrólitos sólidos artificiais (ASEI) para inibir a instabilidade física e química em um eletrodo de metal alcalino. A condutividade dependente   da frequência pode revelar informações importantes sobre os mecanismos de transporte de íons, assim como os arranjos estruturais.

O transporte de íons através da membrana ocorre mediante processos predominantemente líquidos. Portanto, fica claro que as interações moleculares entre os oligômeros e os segmentos da rede de polímeros tem um papel crucial na regulação dos processos de transporte de íons em grande escala nos materiais.

A composição ideal perto de 40% de PEGDMA, as restrições de movimento fornecidas pela rede são fortes o suficiente para inibir o transporte em grande escala que gera instabilidade hidrodinâmica, mas fracas o suficiente para permitir a liberação local de oligoeter para permitir o transporte de íons.

Na ausência de convecções forçadas, a eletrodeposição é um processo de difusão limitada, de modo que a velocidade de transporte de íons em cada diferença de potencial deveria ser uma função da condutividade iônica. A voltagens mais altas, a taxa de migração de ânions excede a taxa de difusão, causando uma interrupção da neutralidade de cargas em uma região perto da interface eletrodo-eletrolitico, o que resulta em uma criação de uma região de carga espacial.

Para obter mais de 40% de PEGDMA, as membranas podem suprimir completamente a instabilidade de convecções. A medida que aumenta o conteúdo de PEGDMA, o equilíbrio muda para as cadeias diglimas que estão completamente associadas aos segmentos de rede e, como tal, não podem se mover independentemente da membrana. Como consequência, o eletrólito liquido se comporta eletrocinéticamente como parte da membrana do eletrólito sólido. Portanto, é interessante que as interações oligômero-polímero regulam a termodinâmica em microescala de misturas e a eletrocinética em macro escala.

Concluindo, as membranas com 40% de PEGDMA como materiais ideais para projetar a interface de polímero sólido (SPI) que exibem simultaneamente características liquidas e solidas. Esta membrana é transparente e homogênea, não apresenta agregados ou sinais de formação de cristalitos.
Conseguiram mostrar que as interações entre um solvente de alto ponto de ebulição (bis (2-metoxietil) éter) com segmentos de rede são suficientes para acoplar o solvente a rede polimérica.

Os descobrimentos das redes em um substrato de Li produzem uma resistência interfacial similar a um liquido, mas são capazes de suprimir por completo a instabilidade hidrodinâmica conhecida como eletroconvecção até voltagens de 5V.

Referência:
Snehashis Choudhury, Sanjuna Stalin, Duylinh Vu, Alexander Warren, Yue Deng, Prayag Biswal & Lynden A. Archer. Solid-state polymer electrolytes for high-performance lithium metal batteries. Scientific Reports, 27 September 2019.

Redação: Dennis Gonzales
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