Ciência e Engenharia de Materiais: Nanotecnologia

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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Controle de bordas em materiais 2D

15 dezembro

  




Resumo: Pesquisadores tornam possível controlar as bordas de materiais bidimensionais através de um produto químico “mágico” na forma de peroxido de hidrogênio. Com isso é possível obter avanços nas áreas de tecnologia e nanociência.



Materiais ultrafinos como o grafeno prometem uma revolução na nanociência e tecnologia. Pesquisadores da Chalmers University of Technology, na Suécia, publicaram um estudo na Nature Communications no qual apresentam um método para controlar as bordas de materiais bidimensionais.


"Nosso método torna possível controlar as bordas, átomo por átomo, de uma forma fácil e escalonável, usando apenas aquecimento com produtos químicos ecológicos, como o peróxido de hidrogênio", diz Battulga Munkhbat, um pesquisador de pós-doutorado no Departamento de Física da Chalmers University of Technology e primeiro autor do artigo.


Materiais tão finos quanto uma única camada atômica são conhecidos como materiais bidimensionais ou 2D. O exemplo mais conhecido é o grafeno. Desenvolvimentos futuros dentro do campo bidimensional podem se beneficiar do estudo de uma característica particular inerente a tais materiais, as suas bordas. Controlar as bordas é um problema científico desafiador, porque elas são importantes para caracterizar suas propriedades. Como podem existir diferenças nas propriedades físicas, pode-se esperar que as propriedades químicas das bordas também sejam diferentes.


Pesquisadores descobriram um produto químico “mágico” na forma de peróxido de hidrogênio comum. A “mágica” química opera de uma maneira chamada autolimitante, removendo material indesejado, átomo por átomo, e eventualmente resultando em bordas atomicamente nítidos.


O novo método, que inclui uma combinação de métodos litográficos padrão de cima para baixo com um novo processo que remove quimicamente camadas da superfície por meio úmido anisotrópico, torna possível criar bordas perfeitas em materiais bidimensionais.


Esses e outros materiais relacionados atraem a atenção significativa da pesquisa, pois permitem avanços cruciais na nanociência e tecnologia, com aplicações potenciais que vão desde a eletrônica quântica a novos tipos de nanodispositivos. Essas esperanças são notadas no Graphene Flagship, a maior iniciativa de pesquisa da Europa, coordenada pela Chalmers University of Technology.


Para tornar a nova tecnologia disponível para laboratórios de pesquisa e empresas de alta tecnologia, os pesquisadores fundaram uma empresa start-up que oferece materiais TMD (dichalcogenetos de metais de transição) atomicamente nitidos de alta qualidade. Os pesquisadores também planejam desenvolver aplicações para esses metamateriais atomicamente nítidos.






Referência:

Battulga Munkhbat et al, Transition metal dichalcogenide metamaterials with atomic precision, Nature Communications (2020). DOI: 10.1038/s41467-020-18428-2


Redação: Nathielle Harka - UNILA
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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Estruturas de celulose utilizadas como carreadores em tratamentos de câncer

27 agosto

Resumo:  Encontradas em plantas, ou produzidas por bactérias, a celulose é o polímero mais abundante no mundo. Possuindo propriedades significativas e promissoras na área biomédica, a celulose demonstrou ser capaz de apresentar eficiência em tratamentos contra diferentes tipos de tratamento de câncer.


Texto en español

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o câncer foi responsável por 9,6 milhões de mortes em 2018, tornando-se a segunda principal causa de óbitos no mundo. Normalmente, a retirada do tumor por meio de cirurgia é o tratamento mais utilizado para esta doença devido a sua alta eficácia. Porém, o tamanho, o local e o estágio do tumor, além das condições do paciente, limitam a aplicação deste método. Sendo assim, são utilizados tratamentos alternativos e menos invasivos como: radioterapia, terapia fototérmica e quimioterapia.


A terapia fototérmica e a quimioterapia possuem limitantes no que se diz respeito ao transporte do medicamento até o tumor. O transporte inadequado do fármaco pode acarretar na liberação repentina e desacelerada do mesmo, reduzindo a sua eficácia e causando reações adversas no paciente. Tendo em vista isso, estudos apontam a utilização da celulose como nanocarreadores promissores garantindo uma maior segurança ao paciente.


A celulose ( é o polímero de maior abundância na Terra, podendo ser de origem animal, vegetal ou bacteriana. Consiste em um polissacarídeo, formado por ligações do tipo e unidades de . A sua estabilidade ocorre por meio de ligações de hidrogênio intra e inter-cadeias, nas quais em grande quantidade resultam em ótimas propriedades mecânicas. Além disso, a celulose exibe características importantes como: biodegradabilidade, biocompatibilidade, flexibilidade, transparência, polaridade, termoestabilidade e, por fim, capacidade de formar géis.


Na terapia fototérmica, o material é injetado no paciente, se acumulando nas células cancerígenas onde, após uma incidência de luz, o mesmo é aquecido, atacando e eliminando o tumor. Recentemente, o fósforo preto, alótropo do fósforo, foi apresentado como um ótimo agente fototérmico, além de ser biocompatível e biodegradável. 


Em contrapartida, este material sofre oxidação rapidamente dentro do corpo humano, resultando em uma rápida degradação e um efeito fototérmico heterogêneo. Para isto, é necessário utilização de um nanocarreador que possua além de resistência mecânica elevada, biocompatibilidade e biodegradabilidade, também não altere a condutividade, a fotoluminescência e as propriedades magnéticas e catalíticas presentes no fósforo preto. 


Os hidrogéis de celulose se mostraram capazes de preencher todos os requisitos necessários. Para exemplificar esta aplicação, podemos citar um estudo realizado na China onde foram fabricados hidrogéis de celulose via rompimento de ligações de hidrogênio da celulose por hidratos. Desta forma, hidrogéis a base de celulose e nanofolhas de fósforo preto (BPNs) foram feitos através da gelificação de cadeias de celulose com o auxílio de um reticulador de epicloridrina na presença de BPNs em água.


Este sistema, BPNs-celulose, apresentou uma estrutura com poros irregulares, garantindo espaço suficiente para a absorção e preservação de uma grande quantidade de água. Além disso, notou-se que as BPNs ficaram totalmente imersas na estrutura do hidrogel de celulose, o que impediu a oxidação das mesmas. Em relação a toxicidade do sistema, os resultados dos ensaios in vitro e in vivo indicaram não haver nenhuma toxicidade, demonstrando a total biocompatibilidade do sistema.


Por fim, ensaios utilizando radiação próxima ao infravermelho confirmaram a eficácia de até cerca de 100% para as células testadas para uso deste material para terapias fototérmicas.


Os resultados apresentados mostram o potencial de utilização de um material abundante na natureza, celulose, para tratamento de doenças que atingem grande parte da população mundial.


Referência:
Ferlay J, Soerjomataram I, Ervik M, Dikshit R, Eser S, Mathers C et al. GLOBOCAN 2012 v1.0, Cancer Incidence and Mortality Worldwide: IARC CancerBase No. 11. Lyon, France: International Agency for Research on Cancer; 2013.

Xing, C., Chen, S., Qiu, M., Liang, X., Liu, Q., Zou, Q., Zhongjun, L., Zhongjian, X., Dou, W., Bigin, D., Liping, L., Dianyuan, F., Zhang, H. (2018). Conceptually Novel Black Phosphorus/Cellulose Hydrogels as Promising Photothermal Agents for Effective
Cancer Therapy. Advanced Healthcare Materials, 7(7), 1701510.

Cacicedo, M. L., Islan, G. A., León, I. E., Álvarez, V. A., Chourpa, I., Allard-Vannier, E., Castro, G. R. (2018). Bacterial cellulose hydrogel loaded with lipid nanoparticles for localized cancer treatment. Colloids and Surfaces B: Biointerfaces, 170, 596–608.

Redação: Beatriz Batalha, Vitor Iscuissati e Liliane Battirola
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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Tendências e desafios atuais no tratamento e terapia do câncer com nanomateriais

17 outubro
Resumo: Os avanços na nanotecnologia estão abrindo novos horizontes no campo da medicina, as nanopartículas que transportam medicamentos são o futuro para o tratamento e a terapia, não só do câncer, também de outras doenças.


A aplicação de nanomateriais na medicina emergiu como uma área de grande interesse para o tratamento de doenças que nos últimos anos foram abordadas de maneira muito limitada. Nesse paradigma, a nanotecnologia está sendo adotada para obter um suprimento eficaz de medicamentos, estabelecer novos diagnósticos in vitro e desenvolver implantes baseados em nanoescala.

O estudo em nível molecular dos fenômenos biológicos associados ao câncer nos permite uma melhor compreensão dos mesmos; assim como o desenvolvimento de novas alternativas para que no futuro possam melhorar a expectativa de vida e controlar a doença, com o uso das ferramentas nanotecnológicas disponíveis, isso está se tornando cada vez mais uma realidade.

Existem vários métodos para a síntese de nanopartículas, o fármaco ou principio ativo podem ser incorporados por absorção, adsorção, encapsulamento ou por ligações covalentes, isto, dependendo das propriedades físicas e químicas das nanopartículas utilizadas, já que estão intimamente relacionadas à sua eficiência de desempenho.

Atualmente, houve um progresso significativo no uso de nanomateriais, projetados para o tratamento de câncer com alta especificidade, sensibilidade e eficácia. Eles podem atacar previsivelmente as células cancerígenas e fornecer cargas úteis encapsuladas de forma eficaz, com distribuição controlada e, em alguns casos, até seletiva, o que é alcançado através da modificação de sua composição, tamanho, morfologia e química da superfície.

Até o momento, vários tipos de nanomateriais, sejam poliméricos, nanopartículas metálicas, materiais à base de carbono, lipossomos e dendrímeros, demonstraram perfis farmacocinéticos e farmacodinâmicos melhorados, em relação às formulações convencionais. Assim, os dados presentes na literatura sugerem que a nanotecnologia fornecerá plataformas de nova geração para tratamento do câncer e terapia contra essa condição.

Prevê-se que os nanomateriais revolucionem todo o sistema de saúde com base nos dramáticos desenvolvimentos realizados no setor de suprimentos de fármacos nas últimas décadas. No entanto, o design de um nanoterapêutico eficaz contra o câncer continua sendo um grande desafio, e apenas algumas nanoformulações entraram em ensaios clínicos. 

Apesar das inúmeras vantagens da terapêutica do câncer em escala nanométrica, a tradução clínica dessas nanomedicinas continua sendo uma missão desafiadora. Devido à falta de entendimento da toxicidade e do comportamento in vivo das nanoformulações, os ensaios clínicos estão passando por contratempos significativos. Com esse panorama, pode-se imaginar que é possível melhorar os materiais para nanomedicina da próxima geração por meio de um design inteligente, e novos desenvolvimentos podendo fornecer melhores estratégias de gerenciamento do câncer.

Referência:
P. N. Navya, Anubhav Kaphle, S. P. Srinivas, Suresh Kumar Bhargava, Vincent M. Rotello, Hemant Kumar Daima. Current trends and challenges in cancer management and therapy using designer nanomaterials. Nano Convergence, 2019; 6 (23): DOI: https://doi.org/10.1186/s40580-019-0193-2

Redação: Guillermo Lugo
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