Ciência e Engenharia de Materiais: Titânio

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Eletrodo dobrável de alta resistência ativado por subunidades de nanofolhas para baterias avançadas de íons de sódio

16 janeiro

 


Resumo: Para enfrentar o desafio de equilibrar alta densidade de energia e fortes propriedades mecânicas em dispositivos de energia flexíveis da próxima geração, os autores propuseram um novo design de estrutura para construir eletrodos dobráveis, de alta resistência e alto desempenho.


A demanda por eletrodos flexíveis que combinam a capacidade de armazenamento de energia em dispositivos com altas propriedades mecânicas é presente em todo o mundo, pois tem um grande potencial para reduzir massa e volume, bem como prolongar a vida útil de eletrônicos flexíveis quando comparados aos eletrodos convencionais.


Existem dois problemas sérios que fazem com que o projeto de eletrodos convencionais seja inadequado para dispositivos flexíveis: estrutura insuficiente do eletrodo baseado na montagem desordenada dos componentes e pela adesão de pó aglutinante, levando a propriedades mecânicas ruins; e por causa dos caminhos condutores dos eletrodos que podem ser danificados sob forças externas.


Portanto, os autores visaram explorar uma estratégia de projeto eficaz para projetar eletrodos avançados com flexibilidade, estabilidade mecânica e eletroquímica suficiente, juntamente com alta densidade de energia, substituindo os modos convencionais na construção de eletrodos.


Neste artigo, os autores desenvolveram um design da estrutura de eletrodo ordenado e hierárquico para fabricar filmes de TiO2-C (dióxido de carbono-titânio) de alta resistência, mecanicamente estáveis e flexíveis, montados por uma abordagem simples de "bottom-up" com base em filmes altamente ativos, porosos e laminados nas subunidades dos nanotubos de carbono. 


Na configuração da subunidade, os CNTs (carbon nanotube - nanotubo de carbono) foram entrelaçados e as NPs (nanoparticles - nanopartículas) de TiO2 altamente dispersas foram fixadas num plano de celulose com grupos funcionais ativos e grande área superficial para formar uma rede condutora contínua incorporada com partículas ativas.


A estrutura única de TiO2 (dióxido de titânio) obtida permitiu que os eletrodos fabricados apresentassem flexibilidade e resistência mecânica de até 60 MPa, alta durabilidade (os autores afirmam que pode ser dobrado até 11.700 vezes), boa condutividade e excelentes desempenhos eletroquímicos.

 

Figura 1: Imagem de um pequeno papel preparado dobrando o filme de TiO2-C. Os autores apontam a atenção para o canto do papel dobrado, mostrando a boa flexibilidade e estabilidade mecânica do filme. Fonte: (Wang et al. 2021).


Concluindo, os autores citam que a alta resposta elétrica do material, a porosidade e a rede condutora contínua garantem que esses eletrodos de filme de TiO2-C alcancem alta capacidade específica, de nível comercial, boa capacidade de taxa e desempenho de ciclismo de longo prazo em baterias de íons de sódio. 


Este projeto dos filmes à base de TiO2 compostos por subunidades de nanofolhas porosas de TiO2-C realizou a junção de desempenhos eletroquímicos e propriedades mecânicas, além de fornecer uma maneira prática e viável para a próxima geração  de baterias de íons de sódio com alta performance, flexíveis e de alta energia.




Referência:
WANG, H.; FU, J.; WANG, C.; ZHANG, R.; LI, Y. YANG, Y.; LI, H.; SUN, Q.; LI, H. Foldable high-strength electrode enabled by nanosheet subunits for advanced sodium-ion batteries. InfoMat. 2022; 4( 2):e12241. doi:10.1002/inf2.12241


Redação: Rafael Andrade Taveira - Engenharia de Materiais - UNILA
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sábado, 29 de agosto de 2020

Filtros de nanofios de Titanato que elimina patógenos

29 agosto



Resumo: Nas últimas duas décadas, vários surtos virais estão resultando em epidemias e pandemias. Para impedir a propagação do vírus, é fundamental ter equipamentos de proteção individual. Por isso, foi desenvolvido um filtro baseado em nanofios de TiO2 que tem a capacidade de eliminar patógenos.



Na tentativa de reduzir os impactos da pandemia de Covid-19, as máscaras de papel estão se tornando cada vez mais obrigatórias. Porém, seu uso generalizado tem uma série de desvantagens. Isso inclui o impacto ambiental de máscaras descartáveis feitas de camadas de plástico de polipropileno. Além disso, eles apenas prendem os patógenos em vez de destruí-los. “Em um ambiente hospitalar, essas máscaras são descartadas e manuseadas de maneira adequada”, afirma László Forró, chefe do Laboratório de Física de Matéria Complexa da EPFL. “No entanto, seu uso em um mundo mais amplo - onde são jogados em latas de lixo abertas e até mesmo deixados na rua - pode transformá-los em novas fontes de contaminação.”


Aqui, é relatado o desenvolvimento de um filtro baseado em nanofios de TiO2, que acredita-se que funcionará extremamente bem para equipamentos de proteção individual (PPE). Este filtro feito de nanofios de óxido de titânio é capaz de prender patógenos e destruí-los com a luz. Nesta pesquisa inclui experimentos que demonstram a capacidade da membrana de destruir E. coli, a bactéria de referência em pesquisa biomédica, e fitas de DNA em questão de segundos. Com base nesses resultados, os pesquisadores afirmam, embora isso ainda precise ser demonstrado experimentalmente, que o processo seria igualmente bem-sucedido em uma ampla gama de vírus, incluindo o SARS-CoV-2.


No artigo também afirma que a fabricação dessas máscaras seria viável em grande escala: o equipamento do laboratório sozinho é capaz de produzir o suficiente para até 80.000 máscaras por mês. Além disso, as máscaras poderiam ser esterilizadas e reutilizadas mil vezes. Isso aliviaria a escassez e reduziria substancialmente a quantidade de lixo criada por máscaras cirúrgicas descartáveis.


Uma start-up chamada Swoxid já está se preparando para tirar a tecnologia do laboratório. “As membranas também podem ser usadas em aplicações de tratamento de ar, como sistemas de ventilação e ar condicionado, bem como em equipamentos de proteção individual”, diz Endre Horváth, principal autor do artigo e co-fundador da Swoxid.




Referência:

Emmanuel Barraud. A titanate nanowire mask that can eliminate pathogens. EPFL News, 07 de agosto de 2020.


Redação: Nathielle Harka - UNILA
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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Propriedades biológicas e antibacterianas do revestimento micro-nanoestruturado de hidroxiapatita/quitosana em titânio

22 outubro

Resumo: O titânio é o material de implante mais utilizado, no entanto tem baixa propriedade antibacteriana. Para melhorar as propriedades biológicas e antibacterianas, o material é revestido de hidroxiapatita micro-nanoestruturada (HA) juntamente com a quitosana (CS).

Texto en español

Com a chegada do século com o maior número de idosos, o número de pessoas com doenças nos ossos, como osteoartrite e defeito ósseo vem crescendo exponencialmente. Assim a procura por implantes para substituição do osso tem aumentado também. Para isso o titânio pode ser usado como um biomaterial, utilizando em joelhos e dentes devido a sua baixa densidade, não ser um material tóxico e boa compatibilidade com o corpo humano.

Porém, o titânio possui baixa bioatividade e propriedades antibacterianas, não tendo boa fixação com os tecidos ósseos e podendo causar infecção pós-operatória. Portanto, Modificando sua superfície é possível melhorar suas propriedades de bioatividade e antibacteriana.

Entre os revestimentos bioativos, a hidroxiapatita (HA) possuí a mesma composição inorgânica que o tecido ósseo humano e assim, é o revestimento mais usado para o titânio. Porém os métodos para a preparação desse revestimento geralmente apresentam deficiências ao longo prazo, alto custo e tem uma força de ligação fraca entre HA e Ti. E quanto a microestrutura desejada, a superfície micro nanoestruturada é a superfície mais adequada para o material de implante pois pode imitar a estrutura dos tecidos ósseos naturais.

É possível preparar revestimentos de HA na superfície de Ti pela MAO (oxidação por micro-arco) que é um método eletroquímico simples para tratamento de superfícies metálicas com baixo custo. Para melhorar a propriedade antibacteriana, podem ser introduzidos antibióticos na superfície do material de implante, diminuindo o risco de infecção pós-operatória. Alguns pesquisadores estão explorando o uso de HA juntamente com a quitosana (CS) que tem propriedades como não toxicidade e biocompatibilidade.

A partir disso, é possível revestir o Ti com HA juntamente com CS e estudar suas propriedades a partir de técnicas de analise como a difração de raio-x (DRX) e termogravimetria (TGA). A biocompatibilidade é avaliada por experimento de cultura celular in vitro. A propriedade antibacteriana do revestimento é examinada pelo método de contagem bacteriana, teste ZOI e técnica óptica.

Com o objetivo de se fazer um revestimento de HA / CS, esse revestimento foi produzido no material, e então foi estudado suas propriedades. Todos os revestimentos continham elementos como cálcio (Ca), fósforo (P), oxigênio (O) e titânio (Ti). O teor de Ti era relativamente baixo e o teor de Ca, P e O era muito maior. Após a introdução do CS, os elementos de carbono (C) e nitrogênio (N) também foram encontrados nos revestimentos compósitos HA / CS. Como C e N são os principais elementos das moléculas de CS, os resultados indicaram que um filme de CS foi introduzido com sucesso na superfície do revestimento de HA.

A partir da análise de DRX foi observado que o revestimento de HA tem uma grande espessura e quase cobria a titânia que foi formada durante o processo de MAO. A partir dos espectros de DRX, também é possível constatar que após a introdução do CS na superfície do HA, a intensidade dos picos típicos de HA diminuiu levemente, o que prova que a camada de CS foi formada na superfície do revestimento de HA e cobriu o HA e a titânia originais até certo ponto. Para medir a quantidade efetiva de HA e CS na superfície do Ti, os materiais foram examinados por termogravimetria (TGA), onde mostrou que com o aumento da quantidade de CS na superfície do HA, a perda de peso foi aumentada.

Na taxa de proliferação celular, as células proliferaram muito mais rapidamente no revestimento de HA, e o número de células nos revestimentos de HA / CS diminuiu com o aumento da concentração de CS, o que pode ser atribuído à cobertura de revestimento de HA micro nanoestruturado por CS. Os resultados confirmaram que todos os revestimentos apresentaram excelente biocompatibilidade, e não foi observada citoxicidade do CS.

Pode se observar também que o crescimento da bactéria E. coli dificilmente foi inibido no revestimento de HA, enquanto o número de colônias bacterianas cultivadas em revestimentos de HA / CS era muito menor e diminuía com o aumento da quantidade de CS introduzida, tendo um melhor resultado.

Neste trabalho, os revestimentos compósitos HÁ / CS com diferentes concentrações de CS foram preparados em Ti. No entanto, verificou-se que o aumento da quantidade de CS diminuiria a bioatividade do HA em certa medida, embora pudesse aumentar a propriedade antibacteriana. A bioatividade reduzida foi devida à cobertura do revestimento de HA e sua micro nanoestrutura por membrana CS. Portanto, para alcançar a bioatividade ideal e a propriedade antibacteriana, a quantidade de CS introduzida foi adequadamente controlada.


Referência:
Baoe Li, Xiaomei Xia, Miaoqi Guo, Yu Li, Zhiyuan, Shimin Liu, Haipeng Li, Chunyong Liang, Hongshui Wang. Biological and antibacterial properties of the micro-nanostructured hydroxyapatite/chitosan coating on titanium. Scientific Reports, 01 October 2019.

Redação: Nathielle Harka
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