Ciência e Engenharia de Materiais: Polímeros

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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Mistura de enzimas reduzem a poluição por plásticos

03 novembro

 




Resumo: Cientistas desenvolvem uma mistura de enzimas (MHETase-PETase) de modo que seja possível fazer a reciclagem do polímero PET, diminuindo o uso de recursos fosseis e a poluição por plásticos.



Os mesmos cientistas que projetaram a enzima que se alimenta de plástico, a PETase, criaram agora um coquetel de enzimas que pode digerir o plástico até seis vezes mais rápido. Uma segunda enzima foi combinada com PETase para acelerar a quebra do plástico.


A PETase decompõe o polietileno tereftalato (PET) de modo que seja possível ser reciclado infinitamente e que possa reduzir a poluição pelo plástico e os gases do efeito estufa que impulsionam as mudanças climáticas. O PET é o termoplástico mais conhecido e mais usado para fazer garrafas de bebidas descartáveis. Este polímero leva centenas de anos para se decompor no ambiente, mas com essas enzimas pode reduzir esse tempo para dias.


A descoberta inicial da PETase criou a perspectiva de uma revolução na reciclagem de plástico, criando uma solução potencial de baixo consumo de energia para lidar com o lixo plástico. Essa enzima natural foi desenvolvida em laboratório e pode ser 20% mais rápida na decomposição do PET.


Depois, a mesma equipe combinou PETase e uma segunda enzima chamada MHETase, para gerar melhorias muito maiores. A mistura de PETase com MHETase dobrou a velocidade de decomposição do PET e ainda projetou uma conexão entre as duas enzimas para criar uma 'superenzima'.


Nos primeiros experimentos, foi observado que eles realmente funcionam melhor juntos, então eles foram ligados fisicamente, como dois Pac-men unidos por um pedaço de corda.


A descoberta da enzima PETase original anunciava a primeira esperança de que uma solução para o problema global da poluição por plásticos pudesse estar ao alcance, embora a PETase sozinha ainda não seja rápida o suficiente para tornar o processo comercialmente viável para lidar com as toneladas de garrafas PET descartadas espalhadas pelo planeta.


Combiná-lo com uma segunda enzima, e descobrir que juntas funcionam ainda melhor, significa que outro salto foi dado no sentido de encontrar uma solução para os resíduos de plástico. A combinação MHETase-PETase trabalha digerindo o plástico PET. Isso permite que os plásticos sejam feitos e reutilizados infinitamente, reduzindo nossa dependência de recursos fósseis como petróleo e gás.


Essa pesquisa combinou informações estruturais, computacionais, bioquímicas e bioinformáticas para revelar percepções moleculares sobre sua estrutura e como ela funciona. O estudo foi um enorme esforço de equipe envolvendo cientistas em todos os níveis de suas carreiras.


Uma das autoras mais jovens, Rosie Graham, uma aluna de doutorado do Portsmouth CEI-NREL disse: "Minha parte favorita da pesquisa é como as ideias começam, seja durante o café, no trajeto de trem ou ao passar pelos corredores da universidade, pode ser realmente a qualquer momento”.


O estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.




Referência:

Brandon C. Knott, Erika Erickson, Mark D. Allen, Japheth E. Gado, Rosie Graham, Fiona L. Kearns, Isabel Pardo, Ece Topuzlu, Jared J. Anderson, Harry P. Austin, Graham Dominick, Christopher W. Johnson, Nicholas A. Rorrer, Caralyn J. Szostkiewicz, Valérie Copié, Christina M. Payne, H. Lee Woodcock, Bryon S. Donohoe, Gregg T. Beckham, John E. McGeehan. Characterization and engineering of a two-enzyme system for plastics depolymerization. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2020; 202006753 DOI: 10.1073/pnas.2006753117


Redação: Nathielle Harka - UNILA
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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Nanofibras que protegem contra explosivos

27 agosto

Resumo: Um grande problema enfrentado por soldados é a falta de proteção com uma maior eficiência. Assim, um grupo de pesquisadores desenvolveram um material que pudesse proteger alguém que trabalha em um ambiente extremo, explorando a relação entre proteção mecânica e isolamento térmico.




Desde a Primeira Guerra Mundial, a maioria dos ferimentos não eram por balas e sim por explosões. Hoje, a maioria dos soldados usam colete à prova de balas, porem uma grande parte do corpo ainda permanece exposta a possíveis fragmentos e estilhaços explosivos.

Tem sido muito difícil projetar algo que projeta contra temperaturas extremas, e que ainda projeta contra projéteis que possam causar explosões, isso acontece por causa de uma propriedade fundamental dos materiais. Assim, grande parte dos coletes são compostos por várias camadas de materiais diferentes, levando a coletes pesados e volumosos, que se usados nos braços e pernas, limitariam severamente a mobilidade de um soldado.


Pesquisadores de Universidade de Harvard em colaboração com o Centro de Soldados do Comando de Desenvolvimento de Capacidades de Combate do Exército dos Estados Unidos da América (CCDC SC) e West Point, desenvolveram um material leve e multifuncional de nanofibras que pode proteger os soldados de temperaturas extremas e ameaças balísticas.


“Quando eu estava em combate no Afeganistão, vi como um colete poderia salvar vidas”, disse Kit Parker, professor de Bioengenharia e Física aplicada na Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas John A. Paulson de Harvard (SEAS). “Também vi o quanto coletes pesados poderiam limitar a mobilidade. Como soldados no campo de batalha, as três tarefas principais são mover, atirar e se comunicar. Se você limitar uma delas, diminui a capacidade de sobrevivência e coloca em risco o sucesso da missão."


"Nosso objetivo era projetar um material multifuncional que pudesse proteger alguém que trabalha em um ambiente extremo, como astronauta, bombeiro ou soldado, das diversas ameaças que enfrentam", disse Grant M. Gonzalez, que tem pós-doutorado no SEAS e foi o primeiro autor do artigo. Para atingir esse objetivo, os pesquisadores precisaram explorar a relação entre proteção mecânica e isolamento térmico, que são propriedades da estrutura e da orientação molecular de um material.


Materiais com forte proteção mecânica, como metais e cerâmicas, possuem uma estrutura molecular altamente ordenada e alinhada. Essa estrutura permite suportar e distribuir a energia de um golpe direto. Os materiais isolantes, por outro lado, têm uma estrutura menos ordenada, o que impede a transmissão de calor através do material.


Kevlar e Twaron são produtos comercialmente usados em equipamentos de proteção e podem fornecer proteção balística ou térmica, dependendo de como são fabricados. O tecido de Kevlar, por exemplo, possui uma estrutura cristalina altamente alinhada e é usado em coletes à prova de balas. Os aerogéis de Kevlar porosos, por outro lado, demonstraram ter alto isolamento térmico.

"Nossa idéia era usar o Kevlar para combinar a estrutura ordenada de fibras de tecidos com a porosidade dos aerogéis para criar fibras longas e contínuas com espaçamento poroso no meio", disse Gonzalez. "Nesse sistema, as fibras longas podem resistir a um impacto mecânico, enquanto os poros limitam a difusão de calor".


A equipe de pesquisa utilizou a técnica immersion Rotary Jet-Spinning (iRJS) para fabricar as fibras. Nesta técnica, uma solução de polímero líquido é carregada em um reservatório e empurrada por uma pequena abertura. Quando a solução de polímero dispara para fora do reservatório, ela primeiro passa por uma área ao ar livre, onde os polímeros se alongam e as cadeias poliméricas se alinham. Em seguida, a solução passa por um banho líquido que remove o solvente e precipita os polímeros para formar fibras sólidas. Ajustando a viscosidade da solução do polímero, os pesquisadores conseguiram transformar as nanofibras longas e alinhadas em folhas porosas, fornecendo ordem suficiente para proteger contra projéteis, mas desordem suficiente para proteger contra o calor.


Para testar as folhas, a equipe de Harvard procurou seus colaboradores para realizar testes balísticos. Foi simulado o impacto dos estilhaços disparando grandes projéteis na amostra. A equipe realizou testes prensando as folhas de nanofibras entre folhas de tecido de Twaron. Eles observaram pouca diferença na proteção entre uma pilha de folhas de tecido de Twaron e uma pilha combinada de tecido de Twaron e nanofibras.


"As colaborações acadêmicas, especialmente as de universidades como Harvard, oferecem ao CCDC SC a oportunidade de aproveitar a experiência e as instalações de ponta para aumentar nossas próprias capacidades de pesquisa e desenvolvimento", disse Kathleen Swana, pesquisadora do CCDC SC e uma das autoras do artigo.


Em testes de proteção térmica, os pesquisadores descobriram que as nanofibras forneciam 20 vezes a capacidade de isolamento térmico dos Twaron e Kevlar comerciais.


"Mostramos que é possível desenvolver têxteis altamente protetores para pessoas que trabalham nas forças armadas", disse Parker. "Nosso desafio agora é evoluir os avanços científicos em produtos inovadores para meus irmãos e irmãs das forças armadas".


O Departamento de Desenvolvimento Tecnológico de Harvard entrou com um pedido de patente para a tecnologia e está buscando ativamente oportunidades de comercialização.


A pesquisa está publicada na revista Matter.



Referência:
Harvard John A. Paulson School of Engineering and Applied Sciences. Multifunctional nanofiber protects against explosions. Phys.org, 29 de junho, 2020: DOI: 10.1016/j.matt.2020.06.001 

Redação: Nathielle Harka
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quinta-feira, 2 de julho de 2020

Como manter alimentos frescos e evitar o desperdício utilizando embalagens ecologicamente corretas

02 julho
Resumo: Cerca de um terço de todo o alimento produzido para consumo humano são perdidos ou desperdiçados globalmente a cada ano. Portanto, há uma necessidade crescente de desenvolver materiais de embalagens inovadoras que estendam a vida útil dos alimentos para reduzir o desperdício.


Grande parte dos alimentos produzidos no mundo são perdidos. Desperdiçar comida levanta preocupações econômicas, éticas e preocupa também pelos impactos ambientais. O projeto YPACK vem criando embalagens ecologicamente corretas na forma de bandejas e películas protetoras para garantir que os alimentos possam ser mantidos frescos por mais tempo e para que não prejudique o meio ambiente. A embalagem sustentável YPACK é feita de subprodutos alimentares, como soro de queijo e cascas de amêndoa que, de outra forma, poderiam ser jogados fora.

 

A embalagem é feita a partir de um biopolímero sustentável, poli (3-hidroxibutirato-co-3-hidroxivalerato), produzido a partir de soro de queijo e micro-celulose a partir de cascas de amêndoa. Foi descoberto que a integração do óxido de zinco e do óleo essencial de orégano ajuda a proteger contra a contaminação bacteriana nas embalagens de alimentos.


As embalagens de alimentos produzidas por esse biopolímero pode se degradar em 90 dias. Essas novas descobertas indicam o potencial das embalagens biopoliméricas para aumentar a vida útil de produtos frescos, como carne, frutas e massas frescas. O coordenador do projeto, Dr. José María Lagarón, comenta: "Vemos um futuro muito brilhante para materiais de embalagem reciclados, contanto que a embalagem seja funcional. Isso significa que ele pode substituir material não ecológico existente. O principal aspecto é que a embalagem, no final da vida útil, pode ser descartado com o restante dos resíduos orgânicos".


A pesquisa aponta para as propriedades antimicrobianas dos compostos de óxido de zinco e óleo de orégano que protegem contra duas bactérias que podem causar intoxicação alimentar, Staphylococcus aureus e Escherichia coli.

De acordo com o coordenador do projeto, foi estudada embalagens para frutas cortadas e carne crua, e embalagens que podem ser abertas e fechadas várias vezes, como sacos de pão e pacotes de fatias de presunto. Os parceiros da YPACK observam "que a melhoria da vida útil em 20% e 50% tem o potencial de reduzir o desperdício de alimentos de 12,5% a 30%, respectivamente".


O projeto YPACK (Embalagem à base de polihidroxialcanoatos de alto desempenho para minimizar o desperdício de alimentos) terminará em outubro de 2020. Um comunicado no site do projeto afirma que os testes de validade de produtos alimentares nas embalagens YPACK “estão planejados para carne, pepinos para bebês e massas frescas".


Referência:
CORDIS. How to prolong shelf life and avoid food waste. phys.org, 24 de junho de 2020.

Redação: Nathielle Harka
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Impressão 3D e sua aplicação em polímeros condutores

02 julho
Resumo: A impressão 3D vem sendo uma grande ajuda para a fabricação de materiais. Este estudo avaliará a impressão 3D de polímeros condutores, com base em poli (3,4-etilendioxitiofeno): sulfonato de poliestireno (PEDOT: PSS), suas propriedades antes e depois de ser impresso.


A fabricação de materiais a base de polímeros condutores tem muitas limitações, a impressão 3D pode ser a solução, porém somente utilizando estruturas simples. Se busca utilizar os polímeros condutores devido à combinação de propriedades de um polímero comum e a condutividade elétrica intrínseca que possuem.

Foi projetado uma tinta polimérica com propriedades reológicas favoráveis para a impressão 3D tendo alta resolução, alta relação de aspecto e fabricação altamente reproduzível de polímeros condutores. Geralmente estes tipos de polímeros são utilizados em forma de solução de polímero cuja baixa viscosidade impede seu uso direto para a impressão 3D.

Neste estudo os cientistas usaram uma tinta de polímero condutor imprimível em 3D de alto rendimento baseada em PEDOT: PSS. Com a viscosidade do polímero se observou que dependia diretamente da concentração das nanofibras de PEDOT:PSS, uma baixa viscosidade provoca a dispersão lateral das tintas impressas em 3D sobre o substrato e uma alta viscosidade obstrui os bicos de impressão. Portanto, buscou-se uma concentração intermediária de nanofibras para que seja capaz de ser imprimível com propriedades reológicas ótimas.

Esta tinta pode ser armazenada durante um mês em condições ambientais sem alguma variação da sua capacidade de impressão. Depois da impressão 3D, se secam e é recozido os polímeros condutores para eliminar algum solvente residual e assim facilitar a formação de domínios cristalinos ricos em PEDOT, e a posterior filtração entre as nanofibras de PEDOT:PSS. As estruturas de PEDOT:PSS puro e seco podem ser convertidas facilmente em hidrogéis estáveis mediante uma inchaço em um ambiente úmido.

A condutividade em estado seco é cinco vezes maior que em seu estado hidrogel. A flexibilidade deste polímero condutor impresso em 3D é um pouco maior em seu estado hidrogel que em seu estado seco, ao ser flexionados por tração e compressão mostra uma pequena variação da condutividade em ambos estados. Os polímeros impressos em 3D mostram uma alta capacidade de armazenamento de carga. Os cientistas realizaram experimentos com uma sonda neural de sinais bioeletrônicos in vivo de fácil fabricação, mostrando bons resultados.

Para a caracterização se realizaram várias técnicas e instrumentos, como a microscopia eletrônica de varredura, dispersão de raios X de ângulo pequeno, reometria giratória, nanoindentação, prova estándar de quatro pontos, voltímetro cíclico e espectroscopia de impedância eletroquímica.

Referência:
Hyunwoo Yuk, Baoyang Lu, Shen Lin, Kai Qu, Jingkun Xu, Jianhong Luo & Xuanhe Zhao. 3D printing of conducting polymers. Nature Communications. March 30, 2020

Redação: Dennis Gonzales
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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Plástico que se degrada mais rápido promete mares mais limpos

01 julho
Resumo: Para combater a poluição feita por plásticos que afeta os mares, pesquisadores da Universidade de Cornell desenvolveram um novo polímero capaz de se degradar por radiação ultravioleta.



“Foi criado um plástico com propriedades mecânicas necessárias para o comercio de peixes, onde se eventualmente o plástico for perdido em um ambiente aquático ele pode se degradar. Isso irá reduzir o acumulo desse material na natureza”
diz o pesquisador Bryce Lipinski, professor na Universidade de Cornell.

A pesca contribui com metade do lixo plástico nos oceanos. As redes de pescas são feitas, por exemplo, de polipropileno isotático, polietileno de alta densidade e nylon 6,6, e nenhum desses polímeros se degradam facilmente. Apesar de existir muitas pesquisas sobre plásticos degradáveis, há um grande desafio na obtenção de um material com resistência mecânica comparável ao plástico comercial.

Nos últimos 15 anos foi estudado e desenvolvido esse tipo de plástico chamado de óxido de polipropileno isotático ou iPPO. Esse material foi originalmente descoberta em 1949, porém as propriedades mecânicas e fotodegradação desse material era desconhecida. A alta isotaticidade (regularidade na cadeia) e o comprimento da cadeia polimérica diferencia do material originalmente descoberto em 1949, fornecendo maior resistência mecânica.

Foi observado que o iPPO é estável ao uso comum, porém quando exposto à luz UV ele se “quebra”. É possível ver essa mudança no plástico apenas em laboratório e visualmente não parece ter mudado muito. A taxa de degradação é de acordo com a intensidade da luz. Em um ambiente de laboratório os comprimentos das cadeias poliméricas se degradaram em um quarto do comprimento original após 30 dias de exposição.

Por fim, Lipinski e outros cientistas desejam não deixar traços do polímero no meio ambiente. E por isso é preciso mais estudos com a ajuda da literatura para que o material pudesse efetivamente desaparecer.

Referência:
Bryce M. Lipinski, Lilliana S. Morris, Meredith N. Silberstein, Geoffrey W. Coates. Isotactic Poly(propylene oxide): A Photodegradable Polymer with Strain Hardening Properties. Journal of the American Chemical Society, 2020; 142 (14): 6800 DOI: 10.1021/jacs.0c01768

Redação: Nathielle Harka - Engenharia de Materiais - UNILA
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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Eletrólitos poliméricos no estado sólido para baterias de alto rendimento de lítio metálico

22 outubro

Resumo: As células eletroquímicas que contém ânodos metálicos são de grande interesse para aplicações elétricas, mas a eletrodeposição desigual e a mal reversibilidade do ânodo, que surge de várias instabilidades químicas, morfológica, mecânica e hidrodinâmica, limitam seu progresso. Com os eletrólitos de estado sólido baseados em redes de polímero reticulado em uma célula com anodos de lítio metálico se conseguiu superar essas dificuldades.


Os dispositivos de armazenamento de energia elétrica seguros, rentáveis e duradouros são essenciais para manter o seu progresso, as baterias de lítio metálico são atrativas pois oferecem o potencial de aumentar a capacidade do ânodo e permitem o uso de catodos de maior energia. Atualmente existe uma dificuldade para encontrar materiais que simultaneamente ofereçam rigidez mecânica suficiente para desacelerar a cinética de crescimento dos depósitos metálicos e proporcionar transporte de íons interfaciais.

Em estudos recentes, as redes densas baseadas em polieter com alta densidade de reticulação são efetivas para superar as baixas densidades de corrente. Os eletrólitos líquidos que incorporam polímeros de alta massa molar para formar emaranhados moleculares no liquido e que conferem viscoelasticidade são efetivos para estabilizar a deposição de metais a densidades de corrente intermediarias, particularmente em eletrodos compostos de metais alcalinos moles.

Foi realizado um processo de polimerização em massa, fácil e simples que não requer solvente. Especificadamente, se agrega polietilenoglicol dimetacrilato (PEGDMA) ao éter bis(2-metoxietílico) (Diglima), resultando em uma boa estabilidade química com um eletrodo de metal de Li e, devido as fortes interações, tem uma baixa viscosidade na ausência de qualquer solvente.

A reticulação foi obtida expondo as misturas a luz ultravioleta, e o resultado é uma membrana resistente e elástica de aproximadamente 100 μm de espessura firmemente unida ao substrato subjacente. O aumento do conteúdo de PEGDMA tem como resultado uma maior densidade de reticulação, o que conduz as membranas que são macroscopicamente mais elásticas e mecanicamente mais fortes.

A membrana reticulada poderia ser usada como interface de eletrólitos sólidos artificiais (ASEI) para inibir a instabilidade física e química em um eletrodo de metal alcalino. A condutividade dependente   da frequência pode revelar informações importantes sobre os mecanismos de transporte de íons, assim como os arranjos estruturais.

O transporte de íons através da membrana ocorre mediante processos predominantemente líquidos. Portanto, fica claro que as interações moleculares entre os oligômeros e os segmentos da rede de polímeros tem um papel crucial na regulação dos processos de transporte de íons em grande escala nos materiais.

A composição ideal perto de 40% de PEGDMA, as restrições de movimento fornecidas pela rede são fortes o suficiente para inibir o transporte em grande escala que gera instabilidade hidrodinâmica, mas fracas o suficiente para permitir a liberação local de oligoeter para permitir o transporte de íons.

Na ausência de convecções forçadas, a eletrodeposição é um processo de difusão limitada, de modo que a velocidade de transporte de íons em cada diferença de potencial deveria ser uma função da condutividade iônica. A voltagens mais altas, a taxa de migração de ânions excede a taxa de difusão, causando uma interrupção da neutralidade de cargas em uma região perto da interface eletrodo-eletrolitico, o que resulta em uma criação de uma região de carga espacial.

Para obter mais de 40% de PEGDMA, as membranas podem suprimir completamente a instabilidade de convecções. A medida que aumenta o conteúdo de PEGDMA, o equilíbrio muda para as cadeias diglimas que estão completamente associadas aos segmentos de rede e, como tal, não podem se mover independentemente da membrana. Como consequência, o eletrólito liquido se comporta eletrocinéticamente como parte da membrana do eletrólito sólido. Portanto, é interessante que as interações oligômero-polímero regulam a termodinâmica em microescala de misturas e a eletrocinética em macro escala.

Concluindo, as membranas com 40% de PEGDMA como materiais ideais para projetar a interface de polímero sólido (SPI) que exibem simultaneamente características liquidas e solidas. Esta membrana é transparente e homogênea, não apresenta agregados ou sinais de formação de cristalitos.
Conseguiram mostrar que as interações entre um solvente de alto ponto de ebulição (bis (2-metoxietil) éter) com segmentos de rede são suficientes para acoplar o solvente a rede polimérica.

Os descobrimentos das redes em um substrato de Li produzem uma resistência interfacial similar a um liquido, mas são capazes de suprimir por completo a instabilidade hidrodinâmica conhecida como eletroconvecção até voltagens de 5V.

Referência:
Snehashis Choudhury, Sanjuna Stalin, Duylinh Vu, Alexander Warren, Yue Deng, Prayag Biswal & Lynden A. Archer. Solid-state polymer electrolytes for high-performance lithium metal batteries. Scientific Reports, 27 September 2019.

Redação: Dennis Gonzales
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