Plástico que se degrada mais rápido promete mares mais limpos - Ciência e Engenharia de Materiais

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Plástico que se degrada mais rápido promete mares mais limpos

Resumo: Para combater a poluição feita por plásticos que afeta os mares, pesquisadores da Universidade de Cornell desenvolveram um novo polímero capaz de se degradar por radiação ultravioleta.


New tool to track plastic pollution in the Mediterranean Sea | EU ...“Foi criado um plástico com propriedades mecânicas necessárias para o comercio de peixes, onde se eventualmente o plástico for perdido em um ambiente aquático ele pode se degradar. Isso irá reduzir o acumulo desse material na natureza” diz o pesquisador Bryce Lipinski, professor na Universidade de Cornell.

A pesca contribui com metade do lixo plástico nos oceanos. As redes de pescas são feitas, por exemplo, de polipropileno isotático, polietileno de alta densidade e nylon 6,6, e nenhum desses polímeros se degradam facilmente. Apesar de existir muitas pesquisas sobre plásticos degradáveis, há um grande desafio na obtenção de um material com resistência mecânica comparável ao plástico comercial.

Nos últimos 15 anos foi estudado e desenvolvido esse tipo de plástico chamado de óxido de polipropileno isotático ou iPPO. Esse material foi originalmente descoberta em 1949, porém as propriedades mecânicas e fotodegradação desse material era desconhecida. A alta isotaticidade (regularidade na cadeia) e o comprimento da cadeia polimérica diferencia do material originalmente descoberto em 1949, fornecendo maior resistência mecânica.

Foi observado que o iPPO é estável ao uso comum, porém quando exposto à luz UV ele se “quebra”. É possível ver essa mudança no plástico apenas em laboratório e visualmente não parece ter mudado muito. A taxa de degradação é de acordo com a intensidade da luz. Em um ambiente de laboratório os comprimentos das cadeias poliméricas se degradaram em um quarto do comprimento original após 30 dias de exposição.

Por fim, Lipinski e outros cientistas desejam não deixar traços do polímero no meio ambiente. E por isso é preciso mais estudos com a ajuda da literatura para que o material pudesse efetivamente desaparecer.

Referência:
Bryce M. Lipinski, Lilliana S. Morris, Meredith N. Silberstein, Geoffrey W. Coates. Isotactic Poly(propylene oxide): A Photodegradable Polymer with Strain Hardening Properties. Journal of the American Chemical Society, 2020; 142 (14): 6800 DOI: 10.1021/jacs.0c01768

Redação: Nathielle Harka